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2ª Bienal Jorge Lima Barreto em Vinhais 

j lima barreto

A vila do distrito de Bragança voltou a homenagear e lembrar o compositor e musicólogo vinhaense. A segunda Bienal Jorge Lima Barreto realizou-se no passado mês de Setembro e foi um evento promovido pela autarquia recheado de cultura no Solar dos Condes de Vinhais.

“Recordar um vinhaense de uma cultura artistica inigualável” é objectivo desta Bienal segundo o vereador da cultura do município de Vinhais, Roberto Afonso.

Nestes dois de Bienal Jorge Lima Barreto foi possível reviver vários momentos da vida do mundo único deste vinhaense. Uma vasta obra literária e uma discografia extensa, nomeadamente nas áreas do jazz de vanguarda, música concreta e minimalismo.

Para além de exposições, conferências, filmes, performances e concertos, foi  apresentado o livro “Estética da Comunicação Musical – A improvisação”, de Jorge Lima Barreto.

Quem foi Jorge Lima Barreto?

Ligado às músicas mais exploratórias, experimentais e improvisadas, a solo ou em formações como os Telectu e AnarBand, Jorge Lima Barreto, nascido em 1949 e m Vinhais, licenciou-se em História de Arte (1973) e doutorou-se em Musicologia e Teoria da Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa (1995), tendo desenvolvido em simultâneo à actividade de músico, produção como documentador e musicólogo, tendo editado quase uma vintena de títulos dedicados a diversas músicas, relacionando-as historicamente.
Mas foi com os Telectu, o duo de música experimental formado em 1982 com Vítor Rua (vindo da formação original dos GNR), que viria a conhecer maior projecção, tendo a dupla actuado um pouco por todo o mundo. Vindo da tradição do jazz, Jorge Lima Barreto incorporou nos Telectu uma grande variedade de elementos musicais, que iam do jazz mais livre à electrónica, passando pelo minimalismo ou pela música concreta. Ao longo de trinta anos de carreira, editaram uma volumosa discografia de mais de vinte títulos. Colaborou com inúmeros músicos de excepção, da música improvisada ou experimental, como Elliot Sharp, Chris Cutler, Sunny Murray, Jac Berrocal ou Carlos Zíngaro. Em simultâneo, compuseram também música para teatro, vídeo-arte ou performances multimédia.
Projecto singular durante muitos anos na paisagem musical portuguesa, os Telectu, pela sua natureza, sempre em conjugação com outras áreas artísticas, e pela forma como recorriam à ironia, criando situações surpreendentes, nem sempre se sentiram compreendidos no contexto português, onde as linguagens mais exploratórias são quase sempre relegadas para plano secundário. Faleceu de doença prolongada em 2011.

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