Revista Raízes - Sempre perto de si.|Quinta-feira, Novembro 23, 2017
Você está aqui: Início » Tema Especial » 30 anos de Amigos da Onda
  • Procure um artigo

30 anos de Amigos da Onda 

_MG_5922

Brigantia, a rádio do coração, da cidade de Bragança que aquece o coração dos brigantinos há quase 30 anos. 365 dias por ano, três horas por dia, ao almoço e ao jantar, com música e muito mais. A Raízes visitou os estúdios da Rádio Brigantia para tentar desvendar o segredo deste sucesso.

 “Amigos da Onda, é a vossa vez, há festa de arromba em 97.3 …” Assim arranca, diariamente, desde 1986 cada edição de “Amigos da Onda”. Paulo Afonso, Rui Mouta e Carla Ferreira não têm mãos a medir durante a emissão que mal começa já tem as duas linhas telefónicas ocupadas. A rádio do coração soube marcar a sua presença, falando mas também ouvindo, criando ondas de amizade que ainda hoje persistem. Há 30 anos foi Sidónio Costa, locutor muito acarinhado pelos ouvintes, que arrancou com a primeira emissão do programa e até então nunca mais parou. Paulo Afonso, locutor e hoje director da Rádio Brigantia, garante que o sucesso deste programa é muito simples. “Falar com as pessoas mas não falar por falar, mas sim de forma especial, simplificar o contacto, falar daquilo que é nosso e à nossa maneira, porque falar à moda de Lisboa continua a ser muito distante para nós. O que é importante é sentirmos que há proximidade, fazer sentir que estamos ao pé das pessoas, isso é que o grande segredo”, refere o radialista.

O locutor está sozinho no estúdio, mas consegue viajar até vários pontos do país e do mundo, hoje a rádio já não se limita ao FM e está também disponível on-line. Os “Amigos da Onda” atravessaram diversas gerações, surgiram numa altura que era moda pedir música na rádio e fazer dedicatórias. “Deixou de ser o programa da juventude para passar a ser o programa de todos e para agora ser um programa popular em que o target é já mais distante. Eu assisti a esta travessia e foi fascinante, porque vi mudar públicos mas o interesse continuou sempre.O tempo que nós damos aos nossos ouvintes, são três horas por dia mas não chega para as pessoas que querem ligar, eu não me lembro da última vez que tive que meter uma música porque não tinha ninguém a participar, as linhas estão sempre ocupadas, essa procura tem a ver com o sentimento que se gera a partir do programa, esse sentimento é um sentimento de bairrismo, daquilo que é da nossa terra, da nossa linguagem, das nossas gentes”, acrescenta o locutor.

 “Amigos da Onda” não pára

365 dias por ano, três horas por dia de linha aberta ao almoço e ao jantar, à excepção da noite de consoada e por imposição dos locutores. “É a única hora que pára durante o ano e os ouvintes reclamam, tenho a certeza que se fizéssemos tínhamos um programa cheio de participações”, diz Paulo Afonso.

Carla Ferreira chegou à Brigantia no ano 2000 e é outra das locutoras deste programa desde então. Explica que o “Amigos da Onda” é uma espécie de terapia tanto para os ouvintes como para os locutores. “Ouvimos as queixas, as lamentações, as dores, as alegrias, as pessoas partilham muito das suas vidas e só depois vem a música”, explica. São muitos anos de programa e sem nunca se ver conhecem-se pela voz e até percebem o estado de espírito dos ouvintes e vice-versa.

Rui Mouta é radialista há cerca de 20 anos e está há três anos na Brigantia, já tinha feito programas de discos-pedidos noutras rádios mas garante que este é um programa diferente. “O programa abraça as pessoas diariamente, acompanha-as na sua vida, falamos com transmontanos que estão espalhados um pouco por todo mundo, que matam um pouco de saudades através de nós”, explica Rui Mouta

A Brigantia recebe dezenas de telefonemas a cada emissão, culpa do sucesso do programa, cada participante tem a oportunidade de fazer o seu pedido por telefone ou por mensagem escrita, os pedidos em papel ainda estão na memória dos locutores. “Lembro-me perfeitamente que os papéis da emissão de almoço eram cor-de-rosa e os da noite eram azuis. Só os sócios podiam pedir desta maneira e para isso vinham levantá-los à rádio”, recorda Paulo Afonso.

Cartão de Sócio da Rádio Brigantia

O sucesso do programa era tal que existiu em tempos um cartão de sócio que dava uma série de privilégios aos ouvintes. “Pagava-se uma quota de 50 escudos por mês, recebiam uma prenda junto dos nossos patrocinadores no seu aniversário, ouviam os célebres patinhos a cantar os parabéns durante a emissão e tinham uma linha telefónica exclusiva”, conta Paulo Afonso que garante que os “Amigos da Onda” ainda vão celebrar muitos aniversários. O programa até já teve um pedido de casamento, um dos momentos mais marcantes para o locutor. “O ouvinte disse que estava apaixonado e que a namorada estava a ouvir. Eu puxei por ele e desafiei-o a fazer o pedido no ar. Desafiei  também a namorada a ligar-nos em directo e responder-nos ar, o que aconteceu passados 2 ou 3 minutos depois”, Nunca cheguei a saber se depois se casaram ou não. Mas estás coisas dão-nos uma noção da magia que se consegue transmitir no ar”, conta Paulo Afonso que nunca chegou a saber se casaram ou não mas recorda este momento como um dos mais marcantes da sua carreira.

Adicionar comentário