A cura de D. Afonso Henriques veio de Cárquere

Já visitou o mosteiro de Cárquere? Mesmo no limite entre Trás-os-Montes e a Beira Alta. Um local rodeado de lendas e mistérios que levam romarias devotas até Nossa Senhora de Cárquere. A Raízes conta-lhe algumas versões populares.

 

Localizado no concelho de Resende, este imponente mosteiro atrai milhares de pessoas devotas à Nossa Senhora de Cárquere ou Santa Maria de Cárquere , pois são várias as lendas à volta dos seus milagres.

Uma das suas lendas mais conhecidas está relacionada com o primeiro rei de Portugal.

Contam-nos os populares que D. Afonso Henriques, futuro rei, teria nascido com uma deficiência nas pernas, o que o impedia de andar. Egas Moniz, vendo tal fatalidade, levou o menino até à igreja que estava a ser construída em honra de Nossa Senhora de Cárquere. Deitou-o em cima do altar, que hoje se encontra atrás do altar, fez uma vigília e D. Afonso Henriques curou-se do seu mal.

Reza uma das lendas que quem governou Portugal não foi D. Afonso Henriques pois foi trocado devido a uma má formação nas pernas

Algumas pessoas contam outra versão, dizem que, durante a vigília, uma vela pegou fogo a uma tolha e o futuro rei levantou-se pelo seu próprio pé para apagar o incêndio. Em memória deste milagre foi construído, nesta igreja, o mosteiro de Cárquere.

Além desta lenda que rodeia o primeiro rei de Portugal, há ainda outra que diz que quem governou foi o filho do aio, Egas Moniz, ou de um barqueiro que fazia a travessia do Douro, pois não se aceitava um rei inválido.

 

O Sardão de Cárquere

Outro dos milagres conhecidos de Nossa Senhora de Cárquere envolve uma jovem tecedeira que vindo de Rossas, povoação do cimo da Serra de Montemuro, para Cárquere, com um cesto de novelos, foi atacada por um sardão muito grande, que a queria comer. Ela apavorada parou junto à porta principal do mosteiro da Senhora de Cárquere e apelou que a salvasse. A santa deu-lhe uma ideia para se salvar mandando-lhe atirar um novelo à boca do bicho mas ficar com a ponta do fio na mão. À medida que ia andando, ia atirando mais novelos, os quais segurava pelas pontas. Quando o sardão tinha todos os novelos, a jovem puxou as pontas que tinha na mão e sufocou o bicho assustador. O sardão foi esfolado e pendurado na igreja como forma de atestar esse acontecimento.

 

 

Imagem divina aparece debaixo de um castanheiro

Mas as histórias não ficam por aqui! Constava que uns rapazes de Cárquere, quando atiravam pedras a um castanheiro, ouviram o barulho de um sino (uma das pedras teria passado uma abertura no tronco) e foram de imediato chamar seus pais.
Estes, curiosos, escavaram pela base da árvore até encontrar o sino, e lá no fundo havia uma imagem de Nossa Senhora e uma caixa de relíquias de vários santos. Junto a ela estava também um pergaminho que referia que tudo tinha sido escondido ali durante a invasão dos árabes.

 

Há ainda quem diga que quando tentaram levar o sino da povoação não conseguiram porque atravessando a povoação do Arco o sino parava de tocar

 

A santa imagem começou logo a conceder milagres, causa pela qual Egas Moniz levou o príncipe D. Afonso Henriques a Nossa Senhora de Cárquere, para que se curasse do defeito com que tinha nascido.

Diz o povo que o sino só tocava naquela povoação e por esse motivo nunca saiu de lá.

O mosteiro de Cárquere  tornou-se Monumento Nacional em 16 de Junho de 1910.

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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