A Pata do Diabo

Bem perto de Alijó, na aldeia de Franzilhal os mais antigos contam que o diabo já por ali passou há umas centenas de anos, e que deixou a sua marca numa fraga.

Reza a lenda que o diabo visitou a aldeia de Franzilhal, andava à solta fazendo todas as patifarias que lhe apetecia, sem que houvesse forma de o deter e assustando os que nesta terra moravam.

“Pensaram na construção de uma ermida ou capela. Juntaram-se todos e conseguiram dinheiro para a edificação de uma igreja para afastar o demónio através da religião. Mas o dinheiro não chegou e não conseguiram terminar a capela”

 

Desesperados já não sabiam o que fazer para voltar a ter paz, pois o diabo atazana as suas vidas todos os dias.
De forma a voltar a ter as suas tranquilas vidas, os populares de Franzilhal decidiram por mão à obra. Pensaram na construção de uma ermida ou capela. Juntaram-se todos e conseguiram dinheiro para a edificação de uma igreja para afastar o demónio através da religião. Mas o dinheiro não chegou e não conseguiram terminar a capela.

O desespero continuava, o diabo visitava a aldeia todas as noites para os assustar. Decidiram pedir ajuda ao pároco local, lembraram-se e meteram pés ao caminho e foram a Alijó falar com ele.

“O diabo conforme olhou para a cruz assustou-se, desatou a correr e foi de tal maneira que já nem sabia por onde ia. E como aquela fraga estava ali no meio, ele pôs a pata com tamanha força para saltar e se ir embora que ainda lá está agora”

Correspondendo aos seus desejos, considerando a justeza da solicitação, o abade emprestou-lhes uma das cruzes lá da igreja. a marca. E então juntaram-se todos e quando o diabo vinha por ali lançado para lhes infernizar

a vida foram pôr-se no caminho dele com a cruz, todos cheios de medo. O diabo conforme olhou para a cruz assustou-se, desatou a correr e foi de tal maneira que já nem sabia por onde ia. E como aquela fraga estava ali no meio, ele pôs a pata com tamanha força para saltar e se ir embora que ainda lá está agora.
E as pessoas de lá dizem: através da fé é que se consegue vencer o demónio.

Por Joana Martins Gonçalves

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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