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A Sexualidade na Pessoa com Deficiência 

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A Sexualidade é uma energia que motiva para encontrar amor, contato, ternura e intimidade e que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e sexual assumindo uma função natural existente em todos os indivíduos. A maioria dos indivíduos com deficiência chega à puberdade com a consequente maturação sexual, como os demais adolescentes. A sexualidade influencia pensamentos e, por isso, influencia também a saúde física e mental.

Será a sexualidade na deficiência igual ou diferente dos demais cidadãos? Uma em cada 10 pessoas, ou seja, 650 milhões em todo o Mundo, tem alguma deficiência pelo que é importante refletir sobre este assunto. Reprimir a sexualidade não faz com que ela desapareça, agrava a angústia e a agressividade nas pessoas com deficiência.

O pressuposto para a educação afectivo-sexual da pessoa com deficiência encontra-se na persuasão de que ela tem necessidade de afeto pelo menos na mesma medida de qualquer outro. Também ela precisa de amar e de ser amada, precisa de ternura, de proximidade, de intimidade. Infelizmente, a realidade é que a pessoa com deficiência,  encontra-se a viver estas exigências legítimas e naturais numa situação de desvantagem, que se torna cada vez mais evidente com a passagem da idade infantil para a adulta. A pessoa com deficiência, apesar de estar afetada na sua mente e nas suas dimensões interpessoais, procura relações autênticas nas quais possa ser apreciada e reconhecida como pessoa. Apresenta o mesmo direito à igualdade e não-discriminação, o direito a casar e constituir família, o direito à saúde reprodutiva, incluindo cuidados de planeamento familiar e saúde materna, informação e educação.

Sobre o que é normal e anormal, sobre o certo e errado e as dificuldades dos pais e cuidadores, foca-se na ausência de normas/guidelines sobre saúde sexual e reprodutiva e a preocupação com a liberdade sexual, nomeadamente dos jovens com deficiência. Nesse sentido, a Educação Sexual é um processo importante, pelo qual os pais e os educadores se esforçam para informar e formar os educandos no campo da sexualidade, para que estes possam aceder ao total desenvolvimento do seu ser, como homens e como mulheres, de modo a que sejam capazes de viver como seres completamente humanos na sua vida afetiva, pessoal e social, e por sua vez livres e responsáveis. Existe a necessidade de explicar a sexualidade com uma linguagem que eles entendam, devendo a informação ser clara e adaptada a etapa de desenvolvimento psicossexual do grupo e a solução não está em reprimir a sexualidade nem fingir que ela não existe. Quando começa a haver manifestação/interesse de cariz sexual, os rapazes devem ser informados acerca da ereção e ejaculação  e falar sobre a masturbação, já que esta pode ocorrer de forma explícita, pouco íntima e até mesmo pública. As raparigas  devem ser informadas sobre a menstruação e criar um clima de confiança para falar sobre a sua relação com o corpo. Não devemos limitar a educação sexual a IST’s e contraceção. Falar também sobre a mudança do corpo, desejos sexuais, gravidez, abuso sexual, distinção entre público e privado. A sexualidade das pessoas com deficiência sofre influência da carência de informações sobre um tema ainda revestido de muitas mitos e preconceitos. A vivência sexual do cidadão com deficiência, quando bem conduzida, melhora o desenvolvimento e equilíbrio afetivo, incrementa a capacidade de estabelecer contactos interpessoais, fortalece a autoestima e contribui para a inclusão social.

Ser Humano é Ser Sexual, Winder 1983.

António Américo Salema

Sexólogo Clínico 

psicoterapias@hotmail.com

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