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Alheiras de Mirandela só as do concelho 

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A partir de agora, o famoso enchido de fumeiro ex-libris de Mirandela, só pode ser produzido no concelho.

Uma ambição antiga dos produtores locais certificados, que se concretiza com a atribuição definitiva de Indicação Geográfica Protegida (IGP) ao enchido tradicional, por parte da União Europeia.

Autarca e produtores de alheira certificada falam numa “vitória”, mas também em enorme desafio para o futuro do sector.

Desde 1996, a Alheira de Mirandela (AM), tinha um registo provisório de Especialidade Tradicional Garantida (ETG) que não faz referência a uma origem e que podia ser produzida em qualquer parte do país, desde que estivesse de acordo com o caderno de especificações.

Este processo foi iniciado, em 2006, pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM), entidade gestora da Alheira de Mirandela “Foi uma luta intensa que acabou por ter sucesso e não tenho dúvidas que é um passo importante para a internacionalização”, refere Jorge Morais, presidente da ACIM.

“Acima de tudo é uma vitória do produto ex-libris de Mirandela”, adianta Rui Cepeda da empresa “Eurofumeiro, a primeira a enveredar pelo processo de certificação da AM.

A IGP limita a produção ao concelho e “vai acabar com as falsificações, em que muitas vezes o produto era apresentado ao consumidor dizendo que era de Mirandela, na realidade não sendo”, diz Pedro Caldeira, sócio-gerente da “Topitéu”, uma das empresas de Mirandela que produz AM certificada.

Já Sónia Carvalho, proprietária das alheiras “Angelina” entende que este reconhecimento é muito importante. “Pode servir de incentivo às pequenas unidades para seguirem o caminho da certificação”, afirma.

Já o presidente do Município, António Branco, espera que todos os produtores locais “entendam que aderir ao IGP é uma forma de promover melhor o seu produto”.

A AM movimenta cerca de 30 milhões de euros por ano e emprega mais de 500 pessoas. Há três meses, o sector sofreu enormes prejuízos, devido ao problema de botulismo identificado numa só marca (origem transmontana), que levou a uma atitude de rejeição daquele enchido de fumeiro, pelos consumidores, “Apesar de ser uma recuperação lenta, a produção tende a normalizar”, garante Sónia Carvalho.

Por Fernando Pires

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