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APBC defende que a gestão cinegética tem de ser feita ao nível profissional 

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Em 2015 um grupo de sete alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) fundou a Associação Portuguesa de Biodiversidade e Cinegética (APBC) com objectivo de promover a floresta, biodiversidade, cinegética e canicultura, ordenamento, consultoria, formação e projectos direccionados.

“A falta de gestão cinegética é o principal entrave para o desenvolvimento do sector na região transmontana”, esta é a opinião do presidente da APBC, André Chaves,  que considera que essa gestão deve ser feita por quem tem conhecimentos e não pode nem deve ser confundida com repovoamentos ou reforços cinegéticos.

Para André Chaves a região de Trás-os-Montes tem um potencial enorme. “A caça tem uma componente regional que não deve ser menosprezada, pois o seu correcto aproveitamento é uma fonte de riqueza e de bem-estar para as populações das zonas mais desfavorecidas”.

No entanto reconhece que a caça continua a ser vista, por alguma opinião pública, como um recurso orientado exclusivamente para a satisfação dos caçadores, quando, na verdade, têm vindo a beneficiar igualmente os restantes sectores da economia e da sociedade, nomeadamente as que habitam em torno do espaço em que esta se pratica, através da oferta de serviços e atividades, especialmente de turismo rural e da comercialização nos mercados locais não exclusivamente cinegéticos.

O presidente da APBC considera que para desenvolver este sector é necessário um maior investimento. “As universidades formam técnicos com conhecimentos para trabalharem neste sector e estes não estão a ser rentabilizados porque a grande maioria das zonas de caça não possui fundo de maneio para contratar um técnico a tempo inteiro”, refere, acrescentando que com o auxilio dos técnicos e das universidades poder-se-ia começar a criar um banco de dados cinegéticos, por exemplo, através da realização de censos com o objectivo de conhecer a fauna existente na zona de caça, através da melhoria das condições do habitat como a criação de campos de alimentação e áreas de refugio, através da recolha de amostras dos animais abatidos ficando assim a conhecer-se os seus hábitos alimentares, se continham ou não parasitas, variabilidade genética, tamanho, peso.

 

Quais os projetos futuros?

 

“A nossa Associação guia-se pela máxima segundo a qual o maior trabalho é feito no campo e não no escritório, entendendo-se como tal que é nas caminhadas pela natureza que se aproximam as pessoas à riqueza da sua terra sensibilizando-as desta forma para a preservação e prevenção da fauna e da flora. Pensamos que uma boa forma de captar a atenção do nosso público será realizar algumas atividades lúdicas, tais como jogos tradicionais, colóquios, acções de sensibilização e convívios. Temos também em mente promover o dia da árvore para, uma vez mais, sensibilizarmos o máximo número de pessoas para a realidade das nossas florestas. Por último mas não menos importante, contamos promover uma maior aproximação com os agricultores que são uma potencial fonte de apoio técnico”, conclui André Chaves.

 Trabalho desenvolvido da APBC

No último ano a APBC tem apostado bastante na formação dos caçadores, na divulgação e na promoção das raças caninas, nomeadamente o Podengo Português, tendo já realizado duas “Mostras do Podengo Português” em parceira com o Município de Vila Real e com o Clube do Podengo Português em que o nosso principal objectivo foi precisamente a sua promoção e divulgação.

Iniciaram em 2016 o Troféu do Cão Coelheiro que teve como objectivo, para caçadores com cães de caçar ao coelho, promover o espírito desportivo do caçador, formá-lo na correcta prática do acto cinegético, tendo em consideração os aspectos técnicos, legais e cívicos bem como a função e utilização dos cães, num quadro de respeito pela Natureza e pela ecologia.

No ano passado realizaram também um evento de carácter solidário, intitulado como “I Encontro cinegético Solidário”, em parceria com a Associação de Caçadores de Póvoa de Lila, com o Município de Valpaços e com a Delegação de Valpaços da Cruz Vermelha Portuguesa, onde todos os lucros angariados reverteram a favor de seis famílias sinalizadas como carenciadas no concelho de Valpaços, através da aquisição de bens alimentares de primeira necessidade.

Colaboraram também na realização do II e III Curso Técnico de Capturas que tiveram como finalidade a formação sobre novos métodos de rastreio, de foto-armadilhagem e de captura através do uso de armadilhas homologadas que respeitam dois pontos-chave sendo eles a seletividade para as espécies alvo e o bem-estar animal. O “II Curso Técnico de Captura – Gestão Cinegética”, realizado nos dias 23 e 24 de julho de 2016 adaptado à vertente cinegética, teve como principal intenção demonstrar que a captura de predadores (nomeadamente a raposa) ajudará a manter e melhorar a saúde dos nossos ecossistemas, beneficiando as populações e comunidades cinegéticas neles habitados. Estiveram presentes nesse curso estudantes das mais variadas áreas, diversas associações ambientais e caçadores. O “III Curso Técnico de Captura – Animais Vadios ou Errantes”, como o próprio nome indica foi mais vocacionado para a vertente da captura de animais domésticos em meio urbano e sub-urbano. Foi apanágio a preservação da saúde destes e a proteção da sociedade moderna dos riscos inerentes ao facto de existirem animais abandonados, nomeadamente cão, gato e novas espécies exóticas invasoras.

 

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