Assim se fala em bom transmontano

“Guichos”  “Cibo”  “Bô”  “C`moquera” “Janeleira” “Foleca” “Abelada” “Gabela” “Guiços” “Abonda-me”

Os transmontanos conferem à língua portuguesa uma vitalidade própria. Uma maneira de falar repleta de graciosidade, alguma malícia, e muito humor à mistura. Há pouco mais de um mês chegou às livrarias um “Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano” da autoria de três transmontanos de gema: Cidália Martins, José Pires e Mário Sacramento. A Raízes esteve com os autores à conversa.

“Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano” tem por objectivo descodificar, de forma simples e descomplicada, o significado desse falar único e divertido que é próprio dos transmontanos. Esta recolha vocabular, segundo os autores vai dirigida ao público em geral, acessível a todos, e reflecte o quotidiano dos transmontanos, o modo como se fala. “É um valioso instrumento para dar a conhecer o vasto património da língua portuguesa cuja grande riqueza reside na sua diversidade, como é o caso do linguajar transmontano, sendo ainda um excelente meio de divulgação por este país fora, pelas comunidades portuguesas e no estrangeiro. Uma obra ousada e divertida!”, diz Cidália Martins.

Esta obra inclui mais de 10.200 palavras e expressões típicas de Trás-os-Montes, desde vocabulário em vias de extinção, que já só se ouve com pessoas muito mais velhas, passando pelo calão, pela gíria, até às palavras e expressões castiças reinventadas pela nova gente transmontana.

José Pires, Cidália Martins e Mário Sacramento são amigos e decidiram fazer este dicionário um pouco “em jeito de brincadeira”. Iam tomando nota das expressões que se iam lembrando e pensaram, “é melhor guardarmos isto antes que se perca no tempo”.

 

Porquê um dicionário?

Não queriam que a sua obra fosse formal no entanto o objectivo era “explicar o que significa uma palavra utilizada aqui que tem um significado próprio, porque há palavras que estão neste dicionário que também são usadas noutras regiões, mas o significado não é o mesmo”, segundo José Pires.

Foi uma recolha que durou cerca de três anos e meio que inclui idas a muitas aldeias à procura das ditas expressões mais antigas e já em desuso. Neste dicionário apenas aparecem aquelas que foram validadas como sendo exclusivamente típicas desta zona de Trás-os-Montes, pelo menos em termos de significado.

Outro dos autores, Mário Sacramento ressalva “Isto não é uma obra nossa, é uma obra de todos os transmontanos. Aquilo que se pretende é reforçar também a identidade transmontana”.

 

Por Joana Martins Gonçalves

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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