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Ballet cativa uma centena de crianças do nordeste transmontano 

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A Escola de Ballet “Ana Pinto” abriu portas, em Mirandela, há cinco anos, e desde então tem sido uma verdadeira loucura, comprovada pela forte adesão das crianças que tem vindo a aumentar todos os anos.

O sucesso tem sido de tal ordem que a professora Ana Pinto também decidiu estender a modalidade aos concelhos limítrofes de Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Alfândega da Fé.

Actualmente, tem cerca de uma centena de crianças, dos 3 aos 17 anos, a praticar a modalidade. “Tenho de confessar que não é fácil desdobrar-me pelas diversas turmas, porque como é uma actividade extra-curricular, só pode acontecer ao final da tarde. Mas, o velho ditado aplica-se na perfeição. Quem corre por gosto não cansa”, diz Ana Pinto.

Dançar não só é divertido como também muito favorável ao bem-estar físico e emocional das crianças. “Além de melhorar a coordenação motora, a dança também ajuda a criança a ser mais disciplinada e mais esforçada”, conta a professora, que não tem dúvidas que esta actividade favorece a criatividade e o trabalho em grupo. “Acredito que é parte da educação de uma criança”, diz.

O ballet clássico consiste em unir a técnica, a música e a actuação nos movimentos. São habilidades que as crianças vão adquirindo, pouco a pouco, através de exercícios e posturas.

O principal objectivo das aulas é divertir e estimular a imaginação da criança. “Elas aprendem a ser mais independentes e a controlar as suas habilidades motoras e intelectuais, e a reconhecer as suas capacidades”, explica Ana Pinto.

No final de cada ano, a escola promove um espectáculo aberto a toda a comunidade, onde as alunas exibem os conhecimentos apreendidos ao longo da temporada. “É sempre uma festa bonita que envolve as crianças, as famílias e os amigos e que também serve para os motivar a continuar a practicar a modalidade”, refere.

A escola também tem sido convidada para participar em alguns eventos culturais. “É importante que a escola seja reconhecida”, adianta a professora que diz ter “muito orgulho” nas suas meninas bailarinas e confessa que a sua maior alegria era que algumas deles pudessem vir a ser bailarinas profissionais. “Reconheço que em Portugal isso será difícil, mas quem sabe numa companhia estrangeira”.

Curiosamente, nas quatro escolas da região, não há nenhum rapaz que frequente as aulas de ballet. “É um fenómeno extensível a praticamente todo o país. É um tabu e um preconceito, que leva as pessoas a rotular o ballet como uma actividade de mulheres, talvez porque o ballet clássico traga logo à lembrança a bailarina delicada, com a saia de tutu e sapatilhas de ponta”, conta Ana Pinto.

O ballet é a representação cênica onde dança, músicas, cenário e figurinos são combinados para que um enredo seja criado. Esta definição clássica, quando visualizada no palco, normalmente leva a uma figura feminina.

Mas, para Ana Pinto, o problema também passa pelos pais. “A maioria não consegue aceitar que o filho prefira o ballet ao futebol, ou a dança em vez de desportos de combate”, diz.

 

Artigo para ler na integra na edição impressa.

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