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Bento da Cruz: uma memória transmontana para sempre 

Bento da Cruz 05

A região de Trás-os-Montes, no passado mês de Agosto, viu a sua cultura ficar mais pobre com a morte de Bento da Cruz.

Um homem multifacetado deixou marca na medicina, na política, na literatura e na cultura, causas que vão permanecer no tempo, imortalizadas pela reconhecida “obra” que construiu ao longo de nove décadas e ficará, para sempre, na memória do povo de Barroso.

Autor, entre outras obras, de “O lobo guerrilheiro”, morreu aos 90 anos e era filho e neto de lavradores. Nasceu em Peirezes, localidade do concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Até ingressar na escola claustral de Singeverga (1940) – dirigida por monges beneditinos – trabalhou na lavoura. Seis anos depois, após o noviciado, abandonou de livre vontade a vida religiosa. O ano de 1948 ficou marcado pelo seu ingresso na faculdade de Medicina de Coimbra. Terminada a vertente académica, Bento da Cruz trabalhou em Barroso na década de 50 e 60. Em Montalegre, nos Pisões, na Borralha e na Vila da Ponte desempenhou funções na área da clínica geral e da estomatologia. Em 1971, fixou-se no Porto. Após o 25 de Abril, fundou o jornal “Correio do Planalto”, um quinzenário regionalista, que dirigiu até hoje.

O autor recebeu o Prémio Fialho de Almeida, da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos, em 1973, por “Contos de Gostofrio e Lamalonga”, o Prémio Literário Diário de Notícias e de Ficção da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos, em 1991, por “O lobo guerrilheiro”, e ainda o Prémio Literário de Investigação da Câmara Municipal de Montalegre (CMM), por “Victor Branco, escritor barrosão – vida e obra”, em 1995, assim como os prémios literários de ficção, da CMM, por “O retábulo das virgens loucas”, em 1996, e o do Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa, por “A loba”, em 1999.

Bento da Cruz foi ainda deputado da Assembleia da República e é patrono da escola secundária da vila de Montalegre.

A Câmara Municipal de Montalegre distinguiu este Barrosão com a Medalha de Mérito (ouro) no feriado municipal de 1991 e, em 2009, assinalou os seus 50 anos de vida literária, num dia repleto de actividades, que ficou marcado pela apresentação do seu último romance: “A Fárria”.

Artigo para ler na integra na edição impressa.

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