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Bisarro agarra tradição de Bisalhães 

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: A olaria preta de Bisalhães é uma arte secular passada entre gerações de artesãos que se dedicam à produção e comercialização de peças utilitárias e decorativas, tal como anteriormente mostramos com a história de Cesário Martins. Esta olaria, considerada património cultural nacional, adquiriu ao longo do tempo um cariz sócio-cultural bastante forte, sendo hoje considerada um marco importante na cultura da região. O projecto Bisarro surge da criatividade e força de dois jovens enquanto projecto socio-cultural, fortemente ligado às raízes.

Bisarro é um projecto sobre o barro preto de Bisalhães e sobre os artesãos que o trabalham com as próprias mãos. A palavra Bisarro nasce precisamente da essência deste projecto: Bisa = Bisalhães + rro = Barro, a olaria tradicional de Bisalhães e a matéria-prima. A criação é de Renato Rio Costa, designer de 26 anos, orgulhosamente natural de Vila Real. “A minha paixão por Vila Real foi a grande motivação para, inicialmente, identificar o problema da extinção desta arte e idealizar uma solução para o mesmo. Tive a oportunidade de trabalhar em duas agências de Design e mais recentemente trabalhei na SPAL Porcelanas de Alcobaça, onde adquiri valiosos conhecimentos e experiência do mundo da cerâmica”, conta o jovem. Decidiu convidar Daniel Pera, Designer de 31 anos, na altura Director Criativo da SPAL, para integrar o projecto juntamente com ele. Daniel tem um percurso ligado à indústria e mais especificamente à cerâmica utilitária. “O seu contacto e experiência, não só com a indústria como também com o mercado desta área e com os principais canais comerciais deste segmento são, sem dúvida, pontos chave para implementar o Bisarro no mercado nacional e internacional”, explica Renato.

Até onde quer ir o “Bisarro”?

O Bisarro surge enquanto ponte de ligação entre o método artesanal e o design, entre o artesão e o designer. Muito focado no design enquanto materialização das ideais da marca, o Bisarro pretende valorizar e dinamizar a arte da olaria preta de Bisalhães através da criação, modernização e comercialização de novas formas e conceitos em barro preto, mantendo a génese do processo de fabrico candidato a património cultural imaterial da UNESCO. “Através do Bisarro, pretendemos levar esta arte, em vias de extinção, a novos rumos e criar novas oportunidades não só à olaria de Bisalhães como aos artesãos. Neste momento, a realidade desta arte é bem conhecida por todos, apenas existem quatro oleiros a exercer esta actividade e sem novas gerações a quem passar este conhecimento”, garante o jovem.

Foto Lino Silva

Artigo para ler na íntegra na edição impressa.

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