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Cão de Gado Transmontano: Raça está processo de internacionalização 

castanheiro caopeq

A raça Cão de Gado Transmontano está em processo de reconhecimento internacional. Foi reconhecida em 2004 como raça portuguesa pelo Clube Português de Canicultura (CPC) que criou agora uma equipa de trabalho para dar o próximo passo: internacionalizar o Cão de Gado Transmontano.

A Raízes falou com José Luís Rosa que acompanhou todo o programa de distribuição de cães para a protecção do Lobo Ibérico e rebanhos na região como técnico do Instituto da Conservação da Natureza.

Com a chegada dos pequenos ruminantes à região, a utilização do hoje conhecido Cão de Gado Transmontano foi a maneira que os pastores encontraram para que o seu rebanho sobrevivesse num meio onde existe grande densidade de Lobo Ibérico. Trás-os-Montes é uma das zonas mais densa de lobo do mundo.

“Houve uma altura em que o Lobo era uma espécie cinegética e as populações decresceram, tornando inútil a existência dos cães de guarda. Mais tarde o Lobo Ibérico tornou-se uma espécie protegida e voltou a expandir-se, verificando-se novamente um grande volume de prejuízos”, explica José Luís Rosa.

Com a lei de protecção da espécie do Lobo Ibérico o Estado Português tem a obrigação em todo o território nacional de verificar e indemnizar todos os estragos causados pelo lobo. O Instituto de Conservação da Natureza (ICN) [agora transformado em Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)] e o Parque Natural de Montesinho através dos seus vigilantes verificavam todos os ataques que aconteciam e indemnizavam os pastores. Antes do plano de distribuição de Cão de Gado Transmontano os prejuízos ascendiam os 200 mil euros anuais.

“Nós enquanto técnicos assistíamos a este problema. Estávamos a cavalgar em cima deste problema. Criava-se um conflito enorme entre os criadores de gado, os pastores, e a administração. E era preciso criar o equilíbrio”, refere.

Era necessário diminuir esse fosso, chegar mais próximo das pessoas e estar do lado da solução do problema.

“ Não era satisfatório pagar toda a vida os prejuízos e os pastores especializarem-se em vender gado ao Estado ou melhor ao lobo”, conta José Luís Rosa.

Em 1994 começa-se a pensar em mecanismos de protecção do gado e constatou-se que havia gados que embora vivessem na área de distribuição do lobo tinham poucos ataques porque tinham cães de guarda.

“Aí a medida encontrada foi fazer com que todos os gados tivessem cães. Não existia nenhuma raça constituída e reconhecida mas os cães que havia nos rebanhos tinha bons resultados então começamos a comprar cachorros e a pô-los nos rebanhos que não tinham cães”, acrescenta.

Numa década foram entregues na ordem dos 700 cachorros. E para que os pastores sentissem orgulho nos cães que tinham começou-se numa feira de Vinhais a fazer concursos de Cão de Gado. “Pedíamos a colaboração do Clube Português de Canicultura (CPC) que vinha cá com juízes e ajudavam a classificar os que eram bons e os que eram maus. Mas como não havia um estalão da raça então os juízes utilizavam o estalão que lhe parecia mais próximo que era o do Rafeiro do Alentejo e isso teve um efeito de selecção um bocado negativo. O que acontecia é que os nossos cães não encaixavam bem e tinham sempre defeitos e não era defeito era feitio, eram as características destes cães”, realça.

 

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

Foto: Pedro Colaço – CIT Alfândega da Fé

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