Carla Dinis

Resignar ou Renascer?

Quase todas as mulheres acreditam que quando casam é para sempre. O grande amor da sua vida! Um amor que é infinito, até que…

Talvez o mergulho nesta vida frenética do “fazer”, do “ter” seja uma estratégia, inconsciente, para ignorar o que está mesmo à frente do nosso nariz.

E quando “paramos,” ou por opção ou por obrigação, ao sermos verdadeiras connosco mesmas, tomamos consciência de que algo mudou no nosso relacionamento afectivo/amoroso! E foi para pior!

Houve um momento na vida em que os nossos caminhos se cruzaram e era “suposto” fazermos o trajecto juntos. Entretanto, por algum motivo, esse caminho começa a divergir…e cada vez a distância entre ambos é maior. Por vezes, essa distância é tão longa que já não há nada a fazer…e quando temos esta percepção, queremos que o caminho convirja novamente?

A relação um dia firmada e firme foi-se tornando insuportavelmente “invisível” para ambos. A falta de conexão e de identificação com o parceiro é “o elefante na sala”.

A partir da percepção que não existe mais amor, de que a desilusão e a rotina venceram a perspectiva de continuar numa relação insatisfatória vai-se tornando mais e mais insuportável até que o alarme dispara! E a palavra “separação” começa a brilhar como uma espécie de publicidade de motel rasca em néon na nossa mente.

A frustração dos sonhos cancelados invade a alma. Quantos planos juntos ficaram por concretizar? A cumplicidade amorosa que se perde. A educação conjunta dos filhos que deixa de ser uma realidade. A casa na praia. As viagens que ainda não se realizaram. O envelhecer juntos sentados no banco do alpendre, num fim de tarde quente de Outono, em que o sol aquece os corpos já sem a energia de outrora e as almas cheias de uma vida a dois!  Acima de tudo, o desmoronar das (falsas) verdades absolutas entranhadas em nós assola-nos a alma, esmaga-nos o peito, não nos deixa respirar!

Passam-se dias e dias em que se questiona o inquestionável. Dias de verdades absolutas em que tudo parece fazer sentido e dias em que as palavras não tem sentido. Voam soltas e vazias!

Quer perceber-se como se está, o que aconteceu e porque aconteceu, mas as resposta tardam em chegar. São dias que só se espera que os dias passem!

Ou resignas-te ou renasces. É aqui o ponto de viragem. O teu foco deixa de ser o problema e passa a ser a solução. “Aconselhadas” por Platão ,“Uma vida não questionada não merece ser vivida”, chega o momento de nos lançarmos na quietude e na sabedoria do nosso SER e perguntar:

– Esta pessoa acrescenta valor à minha vida?

– Sou EU PRÓPRIA quando estou com ele?

– Como é que imagino a nossa relação daqui a 1 mês? A 1 ano? E a 10 anos?

– Sinto-me desafiada a ser uma versão melhor de mim mesma nesta relação?

– O que é que eu quero de uma relação?

– Como é que imaginas a tua vida sem esta relação?

– Se este fosse o último dia da minha vida, era com ele que queria passa-lo?

– O que é que eu faria se não tivesse medo?

 

Renasce! Renasce sozinha ou na relação!

Seja qual for a decisão, de divergir ou convergir os caminhos, está tudo bem!

Como diz Byron Katie: A vida é simples. Tudo acontece PARA TI e não a ti. E no momento certo.

É só mais uma etapa nesta viagem maravilhosa chamada de VIDA. E lembra-te, quem decide quem embarca na tua vida ÉS TU! A viagem é TUA!

Carla Dinis e Marisa Ribeiro

 

 

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