Carla Dinis

Os preliminares começam na Cozinha…!

Quase todos os dias é sempre a mesma coisa…o despertador que toca…as negociações com as crianças sobre o que vestir e o que comer, ficarmos lindas e maravilhosas ao mesmo tempo que gerimos conflitos fraternais, deixar a casa arrumada, carregar os sacos das actividades do dia para dentro do carro…Ufa! Que canseira! Chega a ser um alívio chegar ao trabalho! “Respira fundo, sorri e faz o teu melhor!”- isto de ser boa profissional e querer fazer a diferença é extenuante!

Final do dia, ir buscar as crianças à escola, levá-las às atividades extra-curriculares, enquanto esperamos aproveitamos para ir ao supermercado, chegar a casa, descarregar a “tralha” toda do carro, fazer jantar, arrumar a cozinha, colocar roupa a lavar, estendê-la, ajudar com TPC´s, vestir pijamas, escovar dentes, contar histórias e…ahhhhh….finalmente, tempo para nós! Banho de imersão? Tratamento de beleza? Ler um livro? Ver TV? Ler emails? Dormir?

E é nessa hora que chegam as reclamações do homem da casa. – “Não desligas o tablet?”; “A sério que ainda vais ver esta série?”; “ Não me dás atenção nenhuma.”

Para tudo! Passamos o dia, a semana, o mês todo na correria do costume.

Que bom seria ver, mais vezes, um marido amoroso a passear pela cozinha na hora de confeccionar o jantar e oferecer-se de livre e espontânea vontade PARA O FAZER! Chegar a casa e ver uma mesa posta, os banhos dados às criança, vislumbrar a máquina de lavar roupa a trabalhar, SEM NÓS PEDIRMOS, é miragem….??!!! OFERECEREM-SE para levarem as crianças às actividades, para irem ao supermercado, para irem às reuniões da escola, é pedir demasiado????…

Essa “oferenda” espontânea, para nós mulheres, tem um significado: Reconhecimento! Ligação! Cumplicidade! Compaixão! E o que dá a soma disto tudo?  Loucura! Paixão! Excitação! E muita diversão!

Acreditamos que a vida a dois seria mais simples se os preliminares começassem na cozinha… Não estamos a falar de sexo. Nem de receitas de comidas afrodisíacas e muito menos queremos explorar as situações eróticas que poderiam ser recriadas nesta divisão. Estamos a falar sim de quão sexy é, no fim do jantar, ele olhar-nos nos olhos e dizer “deixa estar que eu arrumo”! Como nos excita quando ele diz “vai ao ginásio que eu levo as miúdas ao parque!”E quando ele diz “dá-me a lista que eu vou ao supermercado!”OHHHHH!  Esperem, esperem!!! E o friozinho na barriga que aparece só de pensar, ele a telefonar para nos relembrar da consulta médica das miúdas! OH SIIIIIIM!!!

Que fantástico seria sermos aliviadas de tarefas que nós também não temos prazer nenhum em fazer!!! Assim reservamos energia para “outras tarefas” que dão prazer a ambos, se é que nos fazemos entender!

Bem, talvez possamos agradecer esta “obrigatoriedade” do serviço doméstico às mulheres das gerações passadas que mantiveram sempre a ideia que homens servem para uma coisa e mulheres para outra. Mas atenção, isso é passada! É que a ordem jurídica que presumia e defendia a subordinação da mulher ao homem e a obrigação do serviço doméstico já foi abolida há muito! Acreditamos que elas fizeram o melhor que sabiam com os recursos que tinham. Cabe-nos a nós agora assumir a responsabilidade da situação. Como diz Bréne BrownBrené BrownBrené Brown Brené Brown “Definir limites e responsabilizar dá muito mais trabalho do que humilhar e culpar. E também é muito mais eficaz.”

Será que nós temos os nossos limites bem definidos? Não os ultrapassámos a maior parte das vezes?…E quando os ultrapassámos não culpámos? Talvez esteja na hora de mudar de estratégia! A definição de nossos limites e a responsabilização do comportamento do outro parece-nos uma excelente opção!

É certo que não acontece assim em todas as casas! Apraz-nos reparar que há já por aí muitos casais em que a divisão das tarefas domésticas é uma realidade e que funciona com muita fluidez! Em alguns lares, é o próprio marido quem assume as funções de  Chef de cozinha, ou “taxista” das crianças, ou quem ajuda com TPC´s, ou…ou de imensas coisas ao mesmo tempo. (Uau!)

Ambas adoramos ser mulheres e concordamos que, actualmente, é um desafio sê-lo, temos demasiados e exigentes papéis: profissionais exímias que participam de igual forma no sustento da casa, boas cozinheiras, amantes fervorosas, donas de casa exemplares e não nos podemos esquecer de estar sempre lindas e bem arranjadas, …e no dia em que escolhemos ser mães, escolhemos também ser motoristas, contadoras de histórias, psicólogas, professoras, enfermeira…and so one!

Por isso, os parceiros que tiverem o privilégio de nos acompanhar nesta magnifica viagem chamada “VIDA”, em 1º lugar, são pessoas muito especiais que merecem o nosso amor e em 2º lugar irão ler esta crónica e passar a ajudar ainda mais a sua MULHER, fazendo-a mais feliz! E segundo a Lei da Causa-Efeito, eu recebo aquilo que dou! Maridos, dão felicidade, recebem-na a dobrar!

Carla Dinis e Marisa Ribeiro

 

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