Carla Dinis

O que parece nem sempre é!

Se há uma questão que me acompanha em todo o meu percurso essa questão é: Quem sou eu?. Quando quero tomar decisões importantes e paro para pensar (já que na grande maioria das vezes tomo decisões por impulso) procuro que aquilo que eu sou prevaleça na minha decisão. A grande chatice da situação é que isto da identidade parece-me que sofre algumas oscilações, há alturas em que só me apetece estar aninhada no meu canto sem grandes manifestações, sejam elas de que espécie forem, enquanto que em outras fases estou cheia de energia para empreender novos processos e nada me pára. Não que numa fase ou na outra eu seja mais feliz ou passe por momentos mais depressivos, apenas é o que me apetece.
Então para me ajudar a nortear mais um pouco a minha vida e as decisões que tomo para ela, tratei de definir os meus valores pessoais, e atenção que são os MEUS…,portanto não têm que ser iguais aos de ninguém. Mas até eles me trocam as voltas, porque não raras vezes já os vi a inverterem a sua hierarquia no decurso da minha caminhada. Ainda assim, são a bússola que me vai guiando, mesmo sabendo que por vezes a deixo esquecida no fundo da carteira ou a vou camuflando com um qualquer filtro que a vida me oferece.
Ainda por estes dias, numa daquelas conversas de circunstância me perguntaram: “Como é que estás? Está tudo tão bem como parece?” Raio da pergunta, que provavelmente foi feita sem qualquer segunda intenção, mas a verdade é que me ficou a martelar de tal forma que estou a escrever sobre ela. “Está tudo tão bem como parece?”, mas onde foi ela buscar isto, se já não estamos juntas há tanto tempo? O que parece…? o que PARECE é o que nós fazemos aparecer, principalmente nas nossas redes sociais, usando os filtros do Instagram e selecionando as melhores fotos, para desta forma irmos criando um perfil perfeito aos olhos dos outros, onde pelo menos ali exista a pessoa plena de perfeição, que possa contemplada. E com o tempo vamos fazendo os nossos ajustes, recebendo os elogios que nos alimentam o ego e quem sabe até encontrar alguém que goste da personagem principal do nosso perfil. É aqui que mostramos “quem somos”, e que grande trabalheira isto de nos preocuparmos com o que o outro pensa de nós, em tentarmos ser “alguém” para os outros. Será que já não o somos? Será que já não somos alguém desde o dia que em nascemos?
Fico com a sensação que é mais importante saber o que sou do que saber quem sou. E percebo que sou um ser em constante mudança, fruto da minha inconstância, livre para conhecer os caminhos que a vida me irá apresentar e mais livre para escolher quais vou seguir. Sobretudo, que sou uma versão inacabada do que serei (deve ser muito difícil fazer uma selfie dessa essência).
O meu ego…esse continua aqui, e vai ter sempre o seu espaço, mas não quero estar presa à necessidade de ser “alguém” para os outros, até porque nem sempre o que parece é!

“Revista muito informativa e simples de ler. ”

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