Revista Raízes - Sempre perto de si.|Domingo, Setembro 24, 2017
Você está aqui: Início » O que se passa em Trás-os-Montes e Alto Douro » Cidades inteligentes são o futuro
  • Procure um artigo

Cidades inteligentes são o futuro 

IMG_9963site

A discussão tem girado em torno da criação da “Smart City”, por todo o mundo, o tema preocupa as agendas locais. A tecnologia entrou a uma velocidade quase incontrolável na vida das cidades, colocam-se sensores, automatizam-se serviços, procura-se a eficiência energética, reorganiza-se a mobilidade, criam-se e instalam-se aplicações para gerir o dia-a-dia, as cidades estão “mais inteligentes”. Mas será este o desafio que se impõe? Esta foi uma das grandes reflexões do Smart Travel 2016, que decorreu em Bragança no início de Dezembro.

Na realidade precisamos mais “de governantes inteligentes e cidadãos inteligentes” do que de “Cidades Inteligentes”. Este é a opinião de Igor Calzada investigador sénior e professor “urban transformations” na Universidade de Oxford. A cidade de Bragança graças ao Smart Travel e às estratégias de desenvolvimento local posicionou-se no ranking das quatro cidades mais inteligentes de Portugal, Igor Calzada sublinhou a necessidade de uma “Transição”, referindo-se à necessária ruptura com as soluções pré-fabricadas, à utilização de ferramentas tecnológicas de forma indiscriminada, e às consequências que as eventuais tendências universais, tantas vezes desajustadas a nível local e regional, podem trazer. A análise de Calzada para inverter o ciclo assenta na implementação de “estratégias translocais” capazes de conetar cidadãos (talentos) em regiões remotas (Smart). O investigador apontou soluções centradas no conceito de cidade-região, muito mais do que no conceito de estado. A interdisciplinaridade o envolvimento de múltiplos stakeholderes regionais e a conectividade que estes devem criar com outros territórios, está entre essas estratégias. E depois é preciso identificar o erro e a fraude e ter a coragem de romper com essas estratégias, politicas ou simples ferramentas fraudulentas.

Igor Calzada deixou o auditório a pensar. Não há dúvidas que o século XXI é o século das cidades mais impõem-se que se comece desde já a trabalhar na transição para incluir um novo conceito, o da R-Urbanindade  (Rural + Urbano), que gere equilíbrio e sustentabilidade.

Vários foram os oradores que mostraram os números que já ninguém ignora. Em 1950 apenas 29% da população mundial vivia nas cidades, em 2010 os residentes nas urbes aumentou para 51% e em 2050, todos os estudos indicam, que 67% da população vai viver nas grandes cidades. O problema coloca-se a todos os níveis, social, cultural, económico, etc.

Ninguém melhor que os autarcas para falar das preocupações e dos desafios que o tema das Smart Cities trouxe para a governabilidade local. Bragança, Loures, Águeda e Guarda foram as cidades convidadas e todas elas exibem trabalho na gestão dos serviços públicos, na melhoria da eficiência energética, na acessibilidade e na mobilidade, entre muitos outros temas, todos eles com um desígnio comum: servir melhor os cidadãos, criar melhor qualidade de vida nas cidades.

As cidades transformaram-se em laboratórios vivos, onde se experimentam soluções, procurando adapta-las às realidades locais. Nem todas as estratégias surtem os efeitos esperados, mas existe actualmente a consciência da responsabilidade local em alterar os modelos governativos. Hoje todos dizem ter preocupações com o que o cidadão necessita, o que quer e o que ambiciona. Na ambição também reside a raiz do progresso.

O Smart Travel foi promovido pela Câmara Municipal de Bragança, com o apoio da associação Brigantia EcoPark e, mais uma vez, organizado pela empresa Conteúdo Chave.

Por Ana Fragoso

Adicionar comentário