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“É a Lotaria de Natal!” ou “É para hoje!” 

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Em Vila Real não há quem não conheça Salvador Gomes. Este cauteleiro de 54 anos, natural da cidade da Régua, não passa indiferente a ninguém. Não só por ser o único a vender cautelas na rua, mas pelo seu pregão forte e inconfundível.

Mesmo do outro lado da praça é possível ouvir, alto e a bom som, a sua expressão característica: “É para hoje!”.
Quem o ouve diz logo: “já anda aí o senhor das cautelas. Não há que enganar!”.
Nem o calor, nem a chuva, nem mesmo a neve, afastam Salvador da sua tarefa. Todos os dias são bons dias para exercer o seu trabalho.
Há 26 anos que é cauteleiro. Não era a sua profissão de sonho, mas “foi o que calhou”.
Salvador Gomes conta que se dedicou “à lotaria por instinto e porque não podia fazer mais nada”.
Um trabalho em vias de extinção, e a prova disso é que já foram cinco cauteleiros a percorrer as ruas da cidade de Vila Real, e hoje é apenas Salvador.
Algo que o entristece, uma vez que se está a deixar “morrer uma profissão com largos anos de existência”. Mas compreende o motivo. “Uns cauteleiros morreram, e os jovens não querem isto porque é um trabalho muito difícil”, explica.
Revela que trabalha “muitas horas por dia, e não só em Vila Real, mas também Régua, Lamego, Mirandela e Bragança”.
Diz que “é uma actividade muito desgastante”, pois anda “sempre a pé, a correr de um lado para o outro”.
Apesar das dificuldades, gosta muito do que faz. Neste momento não imagina “fazer outra coisa na vida que não seja vender lotarias”.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

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