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Escrinhos serviam noutros tempos para tentar chegar à lua 

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Viajámos até à Vilar Seco, no concelho de Vimioso, por aqui ainda se fala com o sotaque mirandês, e os habitantes são conhecidos por escrinheiros, mais à frente vamos perceber porquê.
Somos recebidos por uma das escrinheiras de serviço neste atelier, Rosa do Nascimento, que apesar de só ter aprendido esta arte há três anos, mostra-se muito à vontade a falar do assunto. “Achei interessante esta actividade e decidi inscrever-me e começar aprender. É um trabalho demorado este e acho que é por isso que há poucos interessados, infelizmente”, conta a escrinheira.
Escrinhos são feitos de palha de trigo e silva
Rosa prepara o material para nos mostrar como se fazem então estes cestos, enquanto conta-nos que antigamente era um trabalho de homens, como “não havia televisão as pessoas arranjavam com que se entreter e puxavam pela cabeça, ao contrário de agora”, lamenta.
A recolha de material para a confecção destes cestos tem que ser feito na altura a certa adianta-nos a escrinheira. “O centeio é recolhido no tempo da ceifa, depois tem se tirar as sementes e guardá-lo num local seco. Já a silva pode ser cortada em qualquer altura, desde que não tenha rebentos. É depois limpa, tiram-se os picos e a miola com uma faca”, explica Rosa enquanto exemplifica sentada no atelier do escrinho. Depois de limpa a silva, enrola-se a em novelos largos e coze-se numa caldeira com água quente durante uns dez minutos. Esta cozedura leva a que a silva fique mais resistente, para se moldar melhor.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

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