Esculturas que falam por si

Óscar Rodrigues é natural da freguesia de Soutelinho do Mesio – Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, onde nasceu a 30 de junho de 1981.

Frequentou a escola secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real, e posteriormente tirou uma licenciatura na cidade do Porto de Artes Plásticas – Escultura. Considera que essa licenciatura foi fundamental para o “conduzir” ao sucesso, pois ajudou-o a desenvolver a parte do desenho, sobretudo a parte das proporções, mas também a vislumbrar muitas coisas que outros já haviam feito.

O apoio familiar foi fundamental para que seguisse o seu sonho, os seus pais aceitaram muito bem a sua escolha/caminho, mas também a sua companheira de longa data o apoiou incondicionalmente.

“Tanto os meus pais como a minha companheira são a minha âncora, o meu porto seguro e ter o apoio de todos é fenomenal”.

As suas peças são criadas de acordo com a sua experiência de vida. Óscar faz sempre um estudo do cliente antes de executar a peça, pois acha que essa é a chave do sucesso na obtenção do produto final. É da conversa com o cliente que fica a conhecer a personalidade e o gosto do mesmo. Para além disso, tem plena convicção que é mais fácil gostar de uma peça se ela for criada à semelhança do cliente.

“Um objeto de arte é tão arte quanto mais emoção, sensação ou sentimento conseguir imputar nas pessoas”.

O seu processo criativo funciona de uma forma relativamente simples (em termos de concretização efetiva). Primeiro desenha, faz um esboço daquilo que pretende e depois o método passa por fazer uma simulação 3D no papel, o mais esclarecedora possível, e passar para o 3D efetivo que é previamente desenhado no tronco da árvore.

Começou por trabalhar o metal e a pedra (mais o metal) depois começou a trabalhar mais a madeira e por consequência viu na motosserra algo que lhe permitia trabalhar e criar algo diferente. Atualmente é patrocinado pela conceituada marca STILH, número 1 do mundo.

A nível de riscos, reconhece que existe algum risco no seu trabalho, porque trabalha com a motosserra, e caso aconteça alguma coisa de mal, os danos podem ser mais severos, mas por isso é que utiliza sempre o material adequado, sendo também exigências da marca que o patrocina, e das seguradoras. Precisa de usar fatos forrados com uma malha de proteção, óculos de proteção e aparelhos nos ouvidos por causa do barulho, pois a longo prazo existe o risco de ficarem surdos.

Adora fazer demonstrações públicas e ver as reações das pessoas, que ficam sensibilizadas ao fazerem parte do processo criativo e ao mesmo tempo ficam sempre curiosas para ver o resultado final.

Nestas demonstrações públicas é sempre o Óscar que leva a madeira, pois tanto o seu patrocinador como o representante de Vila Real o “exigem”. Algo que para si faz sentido.

“Sou eu que faço o trabalho, assim se vender o lucro desse trabalho é para mim. Se alguém me colocar lá a madeira, por pouco ou muito que a madeira valha sem estar transformada, esculpida não era minha pertença. Por isso, caso houvesse venda já teria de andar numa negociação de valores, numa percentagem, e por isso, também por sugestão da marca, caso venda os lucros assim são para mim”.

Neste momento já tem vários clientes quer em Portugal quer no estrangeiro tendo feito recentemente um trabalho para uma instituição pública, (uma instituição do estado) que foi um trabalho para a esquadra da polícia da cidade onde mora na Suíça. O seu mais recente trabalho pode ser vislumbrado em Chaves, uma obra feita em madeira de castanheiro e latão.

É uma arte que dá para ganhar dinheiro, o que não dá é para saber quando se vai conseguir ganhar esse dinheiro. Não existe uma regularidade monetária e esse é o maior problema de quem vive da arte.

Apesar de tudo Óscar ainda consegue ser solidário, pois fez uma peça em madeira intitulada “Anjo sem asas”, em que fez um leilão na internet e cujo dinheiro angariado foi entregar em mãos às vítimas de Pedrógão.

É uma peça linda e gigantesca que o escultor demorou uns 12 dias a concluir.

Os seus sonhos/ desejos para 2018 são humildes, talvez porque também ele o seja.

“Gostava de ter pessoas que continuassem a ver e a gostar daquilo que faço”.
“Continuar a ter pessoas que se interessem pelo meu trabalho é o meu principal sonho e objetivo”.

 

Ana de Carvalho

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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