Fisgas de Ermelo de tirar o fôlego!

“A natureza no seu estado puro em Mondim de Basto”

O percurso que lhe propomos nesta edição desenvolve-se à volta do canhão das Fisgas de Ermelo, que tem uma escala só perceptível no local, que, como dizia Miguel Torga, “um misto de espanto e terror”, de tirar o fôlego e provocar vertigem. Sentimo-nos pequenos perante “uma obra” de tal dimensão.

 

Fisgas de Ermelo: uma obra de arte da natureza

Mondim de Basto pode gabar-se deste pedaço de paraíso de beleza deslumbrante, a Cascata de Fisgas de Ermelo é quase como uma torneira aberta encastrada na rocha, é uma  das maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa. Local privilegiado que agora pode ser contemplado mais facilmente, a  Câmara de Mondim de Basto inaugurou um novo percurso pedestre na região.

 

São precisamente 12,4 quilómetros difíceis mas que valem bem a pena, hoje é possível visitar as Fisgas de Ermelo, bem como a área envolvente, através deste percurso – PR3MDB – que se encontra devidamente sinalizado, de acordo com as normas da Federação de Montanhismo e Campismo de Portugal, normas internacionais.

O vereador Paulo Mota do município de Mondim de Basto é o nosso guia nesta viagem e deixa o aviso que “é um percurso exigente fisicamente, mas compensadora dada a experiência única que proporciona”.

Um percurso interactivo

Trata-se de um percurso circular, com três pontos de entrada: na aldeia de Ermelo, aldeia de Varzigueto ou no miradouro do Fojo, integrado em área classificada – Parque Natural do Alvão e Sítio Alvão/Marão da Rede Natura 2000 – tem nas quedas de água das Fisgas de Ermelo o seu ponto alto. Mas este percurso oferece mais do que deslumbrante cenário natural, durante a caminha existem painéis interpretativos que disponibilizam conteúdos sobre a fauna, a flora e a geologia do local.

“Este era um dos objectivos da implementação do percurso: oferecer conteúdo à paisagem. Queremos que os visitantes percebam que o valor deste local está muito além da paisagem que proporciona. São vários os valores naturais que podemos observar ao longo do mesmo, agora de alguma forma identificados, e que devem merecer a nossa especial atenção e respeito, por forma assegurarmos a sua conservação.”, explica Paulo Mota.

Ermelo, uma aldeia com história

Ermelo é uma aldeia com 820 anos de história, com o segundo foral mais antigo do distrito, e preserva um vasto património associado às tradições e cultura das suas gentes. A saída, ou chegada, a Ermelo, faz-se entre muros, moinhos, azenhas e casas com séculos de história. Pelo percurso avistamos muros apiários, uma marca distintiva do território. Parte dos caminhos são rasgados pelas marcas profundas das rodas dos carros de bois. Mas nem tudo é passado. A probabilidade de nos cruzarmos com rebanhos de cabras bravias que pastoreiam os montes, o gado bovino maronês nos lameiros e os trabalhos agrícolas de época, são também motivos de interesse para quem faz esta visita.

 

 

Respeitar a sinalética e a natureza impõe-se

“A sinalética no terreno, permite de forma fácil a qualquer visitante perceber onde está, e que percurso seguir para chegar a esse determinado ponto. Queremos que o visitante tenha uma boa experiência, com o menor impacto possível para o local. Isso faz-se através da devida orientação evitando deslocações inconsequentes”, explica o vereador. O PR3MDB oferece a possibilidade a qualquer pessoa que reúna as condições físicas para o efeito, seguindo a sinalética no terreno, visitar as Fisgas de Ermelo e toda a sua envolvente. É importante que os caminheiros respeitem as normas de conduta. Por questões de segurança e salvaguarda do espaço não devem abandonar o trilho sinalizado e ter uma conduta que respeite a fauna e a flora. As normas estão presentes nos painéis de entrada.

 

 

Um feliz acidente geológico

As Fisgas são uma verdadeira janela para um passado longínquo da história da terra, com 480 milhões de anos. Paulo Mota desafia-nos a imaginar que as rochas quartzíticas começaram por ser areias num mar pouco profundo, até se transformarem naquilo que hoje vemos, em rochas duras. Praias que levantaram para formar montanhas. Evidências da migração de materiais no período em que todos os antigos continentes se juntaram, para posteriormente se separarem numa formação que hoje conhecemos. São estes os momentos que podemos “ler” no empilhamento das rochas que formam o magnifico escarpado, um verdadeiro “livro de pedra””, as Fisgas de Ermelo.

 

 

Fisgas de Ermelo candidatas a Património Natural da Unesco

Mondim de Basto quer inscrever as Fisgas de Ermelo na lista do Património da Humanidade.  Acreditamos que as Fisgas de Ermelo reúnem condições para serem reconhecidas como um espaço único e merecedor do reconhecimento da comunidade internacional. A candidatura assenta nestas características muito particulares e distintivas, que entendemos ser de relevante interesse para a humanidade, e como tal, um verdadeiro património natural”, refere o vereador do município.

 

Por Joana Gonçalves

 

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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