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Genuíno e frenético, um Entrudo carregado de misticismo 

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A origem desta tradição do Entrudo Chocalheiro ninguém, nesta aldeia, consegue precisar, arriscam até a dizer que existe desde que o “mundo é mundo”. O que é certo é que os Caretos de Podence já atraem milhares de pessoas a esta aldeia para assistirem ao seu frenético comportamento, proporcionando um Carnaval genuíno a todos os visitantes.
Mas nem sempre foi assim. Esta peculiar tradição, hoje mediatizada, foi outrora vivida apenas pelos habitantes da aldeia e aí sim era seguida à risca e os caretos espalhavam “o terror a sério”. As raparigas solteiras tremiam e escondiam-se quando estes entravam por suas casas adentro sem pedir permissão a ninguém e as chocalhavam com uma força tal que ficavam sempre com nódoas negras para comprovar. Parece violento? Lá isso parece mas era aceite de bom grado e não havia ninguém que os expulsasse de suas casas ou lhes fechasse as portas.
“Se não ficássemos com nódoas negras de ser chocalhadas nem era Carnaval. Claro que o interessante é que nós mostrávamo-nos em jeito provocador e depois tínhamos que fugir pois já sabíamos o que nos esperava”, conta Maria Rosa com saudades desses tempos.
Aos homens com o “diabo no corpo” de cara tapada com uma máscara de latão ou de couro, armados de chocalhos e um fato feito de colcha e franjas coloridas, tudo lhes era permitido. Já diz o ditado popular “é Carnaval ninguém leva a mal” e assim entravam pelas casas a destruir tudo, os potes de comida na lareira eram os seus preferidos. Com os paus também tiravam o fumeiro e levavam.“Quando sentíamos os chocalhos, a minha mãe ia logo tirar os potes do lume porque não havia pote que ficasse de pé quando eles chegassem. E eu ia logo esconder-me debaixo da cama”, lembra Maria Rosa.
Um momento muito aguardado pelas raparigas da aldeia era o pregão dos casamentos, um ritual que foi novamente reactivado em Podence. Em jeito de sátira os rapazes casavam as raparigas que normalmente nunca era do seu agrado. Iam pelos bairros apregoar os casamentos. E as raparigas, sempre escondidas nas varandas, queriam ouvir e tentar entender o porquê das escolhas.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

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