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“Há um potencial enorme na agricultura transmontana” 

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A evolução do sector agrícola no território transmontano é notória, no entanto, e segundo o director Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Manuel Cardoso, há ainda um grande potencial por explorar. Projectos inovadores na agricultura podem ser a resolução para o problema da desertificação e envelhecimento da população, contribuindo para a fixação dos jovens em Trás-os-Montes.

Como vê a evolução do sector agrícola na região transmontana nos últimos anos?
Manuel Cardoso: A mudança é enorme, em particular nos últimos quatro anos: os pagamentos aos agricultores provenientes da PAC passaram a ser feitos a tempo e com regularidade. O Estado esteve muito mais atento e interveniente a acorrer aos problemas levantados pelas organizações de agricultores, a política de seguros mudou e isto permite que hoje o risco associado à actividade esteja mais minimizado – já com grande adesão na vinha e com adesão crescente nas outras culturas; o investimento atingiu as maiores proporções das últimas décadas e tal modernizou explorações, diversificou as produções, aumentou a capacidade exportadora, aumentou a área de superfície agrícola utilizada, aumentou a dimensão média das explorações. Trás-os-Montes está hoje nos principais e nos melhores mercados do azeite, da castanha, do vinho, da amêndoa, dos hortícolas, das frutas e do sector dos produtos DOP, IGP e do agroalimentar: as alheiras, o fumeiro, o queijo, o mel, o folar, não há feira ou mostra internacional ou em Lisboa e Porto em que não estejamos presentes. Há mais jovens na actividade. Está-se a ganhar dinheiro com a actividade agrícola e agroalimentar. É inegável ter havido uma grande mudança e para melhor, nos últimos anos.

“Nas zonas em que há regadio instalado ou em instalação, com terrenos que não estão a ser aproveitados devidamente como por exemplo em Chaves, em Macedo de Cavaleiros e na Vilariça, as associações de agricultores locais deveriam promover a actividade”

Há jovens a investir na agricultura na região. Considera que ainda há potencial para explorar?
MC: Um enorme potencial. Não só porque há muitas explorações em que é possível o salto geracional, dar lugar aos mais novos, mas há também aquelas que, por desinteresse dos seus proprietários na actividade, estão disponíveis a que sejam contratualizadas para aproveitamento por outrem. E quem as vai aproveitar? Uma geração que é a melhor preparada de sempre, em termos académicos e culturais, para o fazer. Uma geração que poderá ser inexperiente mas a que a sua preparação de base permite tornar mais frutuosa e rápida a experiência entretanto adquirida. Que conseguirá ser resiliente perante as dificuldades e ultrapassá-las com conhecimento, inovação e abertura de espírito: abertura perante as constantes evoluções que na agricultura mundial e nacional fazem com que não possamos estar a produzir sem ser em rede e com atenção aos mercados e às crescentes carências mundiais de alimentos. E isto que estou a dizer não é teoria: já há numerosos exemplos, felizmente, de existência e sucesso do que estou a dizer. Também haverá um ou outro insucesso mas isso não nos deve desviar nem fazer deixar de ver o grande sucesso que há à volta. Devem servir de análise e lição, os insucessos (tal como os há no comércio, na indústria ou noutra actividade). Mas é para os bons exemplos que devemos olhar – e são inúmeros, felizmente.

Artigo para ler na íntegra na versão impressa.

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