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Homofobia e a intimidade sexual em jovens adultos 

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Desde a antiguidade que as práticas homossexuais existem e foram aceites. A homossexualidade masculina, na Grécia, não foi só tolerada pela sociedade, como também autorizada pelas leis e mesmo encorajada. Ela tomou expressão na Grécia Antiga e foi considerada uma instituição reconhecida em Creta e Esparta. No entanto, ela foi durante muito tempo (e ainda é) vista como uma ameaça, uma perversão, uma instituição do mal. A partir do séc. XIX, os homossexuais começam a ser vistos como doentes que devem ser tratados e curados, como criminosos e pecadores. Esse tratamento, dado aos homossexuais, acabou por condenar muitos deles à morte, aos manicómios e às prisões. Os homossexuais são banidos da sociedade pelo preconceito, pelos rótulos, pelo que procuram lugares onde se sintam confortáveis e onde possam encontrar-se com os seus iguais, onde possam ser eles mesmos.

Apesar de uma certa abertura à presença de homossexuais entre os outros, ainda persistem as brincadeiras, as ridicularizações e mesmo a violência, nos seus mais diversos níveis e modos de expressão. O preconceito é tenaz e persiste, condenando os homossexuais a usarem máscaras ou a serem inferiorizados. Muitas vezes, o preconceito é muito forte dentro da própria família. Em função disso, surge o discurso do respeito pela diferença. Mas quantos pais idealizam filhos homossexuais? Quantos homossexuais ainda se maldizem pela sua “condição”? Quantas pessoas vivem infelizes em função de terem de se ajustar aos padrões sexuais com os quais não compartilham?

Por isso, a homofobia pode não ser claramente detectada e encontrar-se dissimulada em actos, palavras e pensamentos. Homofobia é, então, o termo que se usa para descrever uma repulsa face às relações afectivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual . Os próprios homossexuais poderão ser, eles mesmo, homofóbicos, já que internalizam um conjunto de crenças sociais que os levam a sentir-se desconfortáveis no que concerne à sua orientação sexual, desenvolvendo certa “vergonha” por se sentirem atraídos por pessoas do mesmo género. Por conseguinte, tal como sugere Blumenfeld (1992) a homofobia é um problema de cariz social que afecta todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual. Por conseguinte, muitas pessoas não se entregam na intimidade devido a atitudes homofóbicas.

Clinicamente falando, o problema da intimidade tem distintas implicações práticas. Uma delas é determinar até que ponto os assuntos da intimidade se encontram ligados à sexualidade e à capacidade de manter contactos afectivos.

O preconceito negativo que os homossexuais receberam da sociedade e que internalizaram, está ligado a um conjunto de perturbações psicológicas como a depressão, baixa auto-estima (“eu não presto, “eu não sirvo enquanto homossexual”), solidão e mesmo, em último caso, o suicídio. Uma das questões centrais, vivida por muitos homossexuais é o conflito ou desconforto com a sua orientação sexual, a dúvida e o questionamento sobre as suas implicações. É algo que pode ser vivido com sofrimento, pois envolve a auto-imagem do indivíduo e o lidar com as pressões que  enfrenta ou enfrentará para afirmar sua identidade.

António Américo Salema

Sexólogo Clínico 

psicoterapias@hotmail.com

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