Lagares Rupestres em Valpaços

Existem alguns dados que apontam que a cultura vitivinícola, nomeadamente a videira, é anterior ao próprio Homem.

No concelho de Valpaços são muitos os vestígios dessa cultura, existem perto de uma centena de lagares rupestres espalhados por várias aldeias e freguesias. A Raízes foi até à freguesia de Santa Valha conhecer alguns.

 

 

É o engenheiro agrónomo Augusto Lage que nos guia nesta visita aos lagares, também chamados de “Lagares Cavados na Rocha” pelo geólogo Adérito Medeiros Freitas que se dedica ao estudo dos mesmos e que já editou uma obra onde estão todos documentados, resultado de um trabalho de pesquisa de vários anos.

Quando nos deparamos com o primeiro pequeno lagar de imediato perguntamos: Mas como é que conseguiam fazer aqui vinho? Ao que nos é respondido: Isto tem alguma complexidade que já os antigos romanos exploraram de uma forma inteligentíssima.

Eram formados por três elementos como é explicado no livro referido acima “Lagares Cavados na Rocha”, de Adérito Medeiros Freitas. O lagar propriamente dito, os únicos que ainda estão preservados na rocha, onde eram pisadas as uvas, uma cavidade receptora, a pia, dorna ou vulgarmente a “lagareta” onde era recebida o mosto e, de um e outro lado do tanque, uma ou duas cavidades normalmente rectangulares, talvez relacionadas com a instalação de um sistema de prensa.

Logo tentamos imaginar como seria a prensa e também se os lagares teriam alguma estrutura a tapá-lo para que os resíduos e as chuvas não afectassem o vinho. E o vinho? Seria o vinho tal como hoje o conhecemos? Talvez não, e o mais certo será que não mas que o sistema usado era sofisticado para a altura lá isso era.

A prensa era, segundo a Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, inicialmente, extremamente rude, constituída por um bloco de pedra que se colocava sobre as uvas para espremer o bagaço. Essa pedra seria deslocada pelo homem ou caso fosse muito grande por alavancas. Este sistema foi evoluindo e foi introduzida a “vara” ou “trave-prensa” de movimentos verticais, com uma das extremidades fixas. Mais tarde o sistema foi ainda enriquecido com a introdução do “fuso” e do peso de pedra, um sistema que chegou até aos dias de hoje.

 

Lagarada no lagar rupestre

Dos lagares que visitamos em Santa Valha, há um que chama mais à atenção não só pelo tamanho e estado de conservação mas pela precisão como foi cavado na pedra.

Situa-se no lugar Das Terceiras (Stª Olaia) e é propriedade de Adelaide Moreiras Gonçalves.

Mede 3 metros de comprimento, 2,90 metros de largura e 90 centímetros de profundidade. De um e outro lado do tanque existem duas cavidades rectangulares, uma de cada lado. Uma verdadeira obra de arquitectura que vale a pena visitar.

Tão imponente é este lagar que a Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes (CVRTM) e a Associação dos Viticultores de Trás-os-Montes (AVITRA) com o apoio da Câmara Municipal de Valpaços resolveram recriar uma lagarada neste monumento arqueológico. Nos dias 5, 6 e 7 de Maio as mesmas entidades vão organizar as Jornadas Ibéricas sobre Lagares Rupestres, em Valpaços, que reunirá arqueólogos, enólogos, e interessados nesta matéria. Estas jornadas pretendem promover troca e divulgação de conhecimentos não só sobre os lagares mas também sobre o tipo de vinho que consumiam os nossos antepassados.

 

 

 

Baco Deus do Vinho

“Baco: Deus romano do vinho e da vinha, da embriaguez e dos instintos livres, filho de Júpiter e Sémele, filha de Cadmo. É o Dionisio dos gregos. Como sua mãe morreu repentinamente antes do parto, Baco foi metido na cocha de Júpiter até ao seu nascimento. Depois, vou mandado por Júpiter a Nisa, na Trácia, onde as ninfas o educaram. Baco ensinou ali a cultura da vinha e, para comunicar a sua arte aos homens, percorreu numerosas terras, entre as quais o Egipto e a Índia. Baco auxiliou Júpiter na guerra dos deuses contra os gigantes…O nome Baco é, muitas vezes, empregado para exprimir a ideia de vinho: os filhos, os admiradores, os discípulos de Baco, etc. Em Roma celebravam-se as Bacanais, ou festas em honra de Baco, que originaram desordens e escândalos, a que o Senado teve que pôr o cobro”.

Dicionário Prático Ilustrado LELLO&IRMÃO – EDITORES

 

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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