Lenda do Monte Farinha e Senhora da Graça

Este é um local privilegiado para os amantes da natureza, um destino obrigatório numa visita a Mondim de Basto. Mas além desta beleza esconde-se a história de um moleiro que fomos descobrir.

Conta-se pelo concelho de Mondim de Basto que há largos anos atrás andou um pobre moleiro pelas estas terras de Basto. Tinha uma velha carroça de madeira, puxada por um também velho burro, onde levava um moinho, que era o seu único ganha-pão.

Dizem que andou por todas as terras daquela zona, que para anunciar a sua chegada tocava uma gaita. As pessoas ao ouvi-la iam até ao largo da aldeia e trocavam sacos de milhão por farinha.

Era este o pequeno negócio deste moleiro que apesar de pobre vivia feliz. Após cada visita a esta aldeia, seguia o seu caminho cantarolando ao ritmo das ferraduras, com o moinho sempre a moer o grão, para retomar a troca nas terras seguintes.

Uma graciosa senhora atravessou o seu caminho

Numa viagem entre estas aldeias de Mondim de Basto conta-se que um dia o moleiro
encontrou uma graciosa senhora que caminhava a pé, sob um sol escaldante, e parou, compadecido, para a levar na sua carroça. Ela aceitou a boleia e seguiram até Mondim, onde o azar os esperava. Um bando de mouros veio ao seu encontro para lhe roubar a farinha e o grão. Sem possibilidades de lhes fazer frente, chicoteou o burro, que já era muito velho, para tentar escapar aos Mouros. Mas o animal assustado, meteu uma pata entre dois grandes calhaus e não conseguiu libertar-se.
O moleiro tentou de tudo para o tirar daquele buraco. Mas, enquanto puxava pela perna do jumento, chegaram os mouros que o mataram. A senhora que seguia com o moleiro, sem saber o que fazer saltou da carroça para cima de uma pedra alta e gritou:

– Abre-te, pedra! Faz-me esta graça!

A pedra abriu-se e deixou entrar a senhora e voltou a fechar-se rapidamente.
Os mouros, ao verem aquele espantoso fenómeno, deixaram a farinha e o grão e fugiram rapidamente.

O moinho, desgovernado, continuava a moer. Moeu… Moeu… Moeu… Até se formar um monte muito alto de farinha, só parando quando já não tinha mais grão para moer.
Os populares contam hoje e também Joaquim Alves Ferreira no seu livro “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro,” que as pessoas das localidades vizinhas, ao verem aquele estranho acontecimento correram até ao local e estranharam aquele monte de farinha. Desde esta altura, aquele sítio ficou a chamar-se Monte Farinha. Reza a lenda que a senhora, lá continua escondida na Pedra Alta, com medo dos mouros.

Mais tarde  o povo, para agradecer esta intervenção de Nossa Senhora, construiu uma capelinha branca, lá no alto do monte, e deu-lhe, por isso, o nome de Senhora da Graça.

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Por Joana Martins Gonçalves

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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