Revista Raízes - Sempre perto de si.|Domingo, Setembro 24, 2017
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Memórias 

Antes que venha o Inverno e dispersem ao vento e à chuva essas folhas caídas de Garret resolvi escolher e partilhar uma ou outra que valha a pena conservar nem que seja nas memórias.
“No ano que completei noventa anos, quis presentear-me com uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. E é assim, sem rodeios, que Gabriel García Márquez nos apresenta a história deste velho jornalista que escolhe a luxúria para provar a si mesmo, e ao mundo, que está vivo. Primeira obra de ficção do autor colombiano em dez anos, “Memória de Minhas Putas Tristes” desfia as lembranças de vida desse inesquecível e solitário personagem em mais um vigoroso livro de Gabriel García Márquez. O leitor irá acompanhar as aventuras sexuais deste senhor, narrador dessas memórias, que vai viver cerca de “cem anos de solidão” embotado e embrutecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem horizontes quanto ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis, até chegar, enfim, a esta inesperada e surpreendente história de amor. Escolhido o presente, ele segue para o prostíbulo de uma pitoresca cidade e ao ver a jovem de costas, completamente nua, sua vida muda imediatamente. Quando acorda ao lado da ainda pura ninfeta Delgadina, o personagem ganha a humanidade que lhe faltou enquanto fugia do amor como se tivesse atrás de si um dos generais que se revezaram no poder da mítica Colômbia de Gabriel García Márquez. Agora que a conheceu, ele se vê à beira da morte. Mas não pela idade, e sim por amor. Para uns, “Memória de Minhas Putas Tristes” trata-se de uma reflexão romanceada sobre o amor na terceira idade. Para outros, é um hino de louvor à vida e, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro no imaginário do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.
Memória de minhas putas tristes – Gabriel García Márquez
As folhas caídas d´Outono que neste momento se fazem sentir na bela paisagem bucólica de Trás os Montes e Alto Douro são as mesmas folhas de Primaveras passadas, embora com outras cores e vigor. A Sexualidade representa-se assim, nas várias estações das nossas vidas. A capacidade de vermos e sentirmos beleza em cada momento em que nos é pedido para nos representarmos na nossa sexualidade, sem estarmos presos ao tempo.
A Sexualidade humana tem destas coisas, a capacidade de se reinventar a cada momento e a cada instante das nossas vidas. Não existimos nas Teorias, nem nos definimos nos livros. Gabriel García Marquez fala-nos de pessoas e isto sim, é Sexologia.

António Américo Salema
(Sexólogo Clínico)

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