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Miúdos e Graúdos juntos pelo Teatro 

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Dos 8 aos 80 anos todos adoram o teatro. Falamos da TAFÉ – Escola Municipal de Teatro, em Alfândega da Fé, um dos grupos mais inter-geracionais da região transmontana. Criou uma proximidade com o público e laços que a prendem à comunidade, mantém-se como um exercício cultural que ultrapassa o carácter superficial e lúdico, enformando uma actividade indispensável para uma vivência partilhada com todos no concelho.

“Eu adoro teatro, animamos-nos uns aos outros é muito divertido. Velhos e novos é tudo uma alegria, dias de ensaio nunca são dias tristes”, é assim que uma das actrizes do grupo mais velhas, Berta  Morais de 75 anos, caracteriza a TAFÉ dizendo mesmo que é como uma família para ela que se desloca de uma das aldeias do concelho mais distantes para participar e não falha um ensaio.

A TAFÉ tem como objectivos praticar e difundir a arte da dramatização e encenação. A sua acção compreende actividades teatrais de palco, desde o drama, a comédia, o teatro infantil, como também teatro de rua. Numa perspectiva de educação não formal, desenvolve projectos de animação sócio-cultural e organiza workshops e oficinas temáticas.

Os membros do grupo fazem o que gostam e a população agradece pois, é visivel pelas salas cheias em todas as peças da TAFÉ bem como nas animações de rua, onde toda a gente se desloca para assistir.

Mas como é cordenar este grupo com uma faixa etária tão diversificada, onde participam desde crianças a idosos?  Silvano Magalhães, encenador do grupo explica que “coordenar um grupo com faixas etárias assim tão distintas leva-nos a explorar uma dinâmica de trabalho que num curto espaço de tempo, ou seja, o ensaio, seja gratificante e produtivo para todos”.

Silvano Magalhães diz que é  como ter dois polos, o jovem e o sénior, e durante o processo de trabalho, joga-se, brinca-se, criam-se os conflitos que dão origem a cenas muito genuínas pois todos têm a apreender uns com os outros, os mais novos com os mais velhos e vice-versa.

“E como se trata de um grupo de teatro de amadores, de pessoas que amam o teatro elas dão o melhor de si, o que de mais belo têm em si artisticamente e isso leva-nos a “montar” espectáculos que podem abranger todas as idades também”, conclui o encenador.

Em Alfândega da Fé sempre houve uma tradição muito forte ligada ao teatro. Havia uma produção teatral intensa e muito dinamismo ao nível da encenação e apresentação regular de peças.

As pessoas participavam activamente e depois essa tradição  foi se perdendo com o tempo e agora o município  quis retomar toda essa cultura criando assim a Escola Municpal de Teatro que conta agora com um grupo de 23 alunos.

Patrícia Camelo e Susana Cunha são as duas educadoras e animadoras que dão apoio ao grupo de teatro, também para elas este é um trabalho muito gratificante pois para além de todo o convívio que o teatro proporciona “é muito bom ver a evolução dos nossos actores de peça para peça, tal como é bom ver o entusiasmo do público nas salas”, refere Patricia Camelo.

Estratégia cultural

Ana Margarida Duque, Chefe de Gabinete da Presidência de Alfândega da Fé, considera que a TAFÉ “é essencial numa óptica de transferência de benefícios inter-geracionais, de um aproveitamento de infraestruturas culturais locais, contribuindo simultaneamente para provocar modificações no processo de construção da vida social”.

São vários os autores locais e nacionais, como José Luís Peixoto, através da adaptação da sua obra literária “À Manhã”, por parte do Grupo de Teatro Filandorra, cujas peças são trabalhadas e levadas à cena. Muito deste dinamismo é conseguido pelo investimento que a autarquia fez com o grupo de teatro filandorra, através de um protocolo de colaboração, que contempla desde a acções semanais de formação, como realização de espectáculos e outros eventos.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

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