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Nuno Santos: o caçador de planetas 

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Um sonho de criança concretizado. Nuno Cardoso Santos arriscou e pode dizer-se que petiscou ao assumir o risco de fazer astronomia em Portugal. Premiado internacionalmente o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é líder de uma equipa de excelência que compete pelos melhores resultados a nível mundial e já descobriu cerca de 200 planetas.

Sempre gostou de ciência e a astronomia, fez sempre parte dos seus objectivos. “Até podia ter sido biólogo, paleontólogo mas acabei por escolher assuntos que estivessem distantes no espaço ou no tempo”, conta Nuno Santos.

O seu percurso escolar foi feito em Mirandela, no distrito de Bragança, onde ainda hoje moram os seus pais que visita com regularidade. Na escola diz ter sido um aluno normal mas sempre muito interessado com o que se passava fora do planeta terra, noites e noites a olhar o infinito. O bichinho cresceu quando estava no 9ºano e uma tia o alertou para a existência da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores. “Fiz-me logo sócio e comecei a assinar, apesar de algumas dificuldades iniciais com o inglês, a revista “Sky & Telescope”. Assim cresceu este meu gosto pela astronomia”, explica Nuno que nessa altura fazia observações como astrónomo amador, em particular de estrelas variáveis.

Ao completar o 12º ano ingressou no curso de Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Depois do curso veio o mestrado e o doutoramento em astrofísica.

Ida para o Observatório de Genebra

A oportunidade de colaborar com a equipa liderada pelo professor Michel Mayor o Observatório de Genebra aconteceu, segundo Nuno Santos, de forma acidental. “Tive a oportunidade de ir a uma conferência em Espanha durante o mestrado. Isto em 1996, pouco tempo depois da descoberta do 51 Pegasi b, o primeiro planeta detectado em torno de uma estrela semelhante ao Sol. Nessa mesma conferência cruzei-me com o Michel Mayor e perguntei-lhe se haveria possibilidade de fazer o doutoramento na equipa dele, no Observatório de Genebra, na altura ainda estava a frequentar o mestrado. Entreguei-lhe o meu currículo ele aceitou-me como aluno na condição de eu conseguir uma bolsa de doutoramento. Completado o mestrado consegui a bolsa e mudei-me para Genebra”, explica o transmontano.

Sonho de descobriu outra Terra

Descobrir um planeta igual à Terra é uma das metas do investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA). Este é um dos objectivos em que está concentrada toda a comunidade científica mundial. Tanto a americana NASA como a europeia ESO (Observatório Europeu do Sul), uma autêntica competição.

Nuno Santos é autor de 250 artigos científicos com mais de 1200 citações e espera encontrar planetas rochosos semelhantes à Terra, essa é a sua grande meta.

Premiado e reconhecido internacionalmente

Nuno Santos ganhou em 2009 uma bolsa europeia do European Reasearch Council (ERC) ERC, uma Starting Grant, no valor de quase um milhão de euros para a sua investigação. No ano seguinte foi um dos vencedores da primeira edição do prémio Internacional Viktor Ambartsumian. Um prémio de 500 mil dólares partilhado com os seus colegas Michel Mayor e Garik Israelian. Os três investigadores foram galardoados pelo seu trabalho no estudo das estrelas que têm planetas em órbita, que dão indicações essenciais sobre os processos de formação planetária.

Planetas com nomes portugueses

Lusitânia, Caravela, Adamastor, Esperança e Saudade são os nomes propostos pelo Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, com o apoio do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, pela  primeira vez, a União Astronómica Internacional  abriu uma votação pública para baptizar 20 sistemas planetários. Nesse lote está o sistema mu Arae, no qual um dos exoplanetas foi descoberto precisamente por uma equipa internacional, liderada por Nuno Santos.

“Um sistema planetário com nomes lusitanos faria justiça ao trabalho nesta área desenvolvido em Portugal, que é reconhecido internacionalmente. Talvez mais importante, ajudaria a reforçar a percepção positiva sobre a qualidade e o impacto da ciência que se faz no nosso país, em particular na área das ciências do espaço”, frisa o astrónomo.

Como homenagem, o Planetário do Porto – Centro Ciência Viva submeteu nomes da cultura portuguesa para o concurso da IAU NameExoWorlds, que tem como objectivo celebrar o vigésimo aniversário da descoberta do primeiro exoplaneta. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço lançou uma campanha mundial de apoio a esta proposta à qual se associou o Ministério da Educação e da Ciência fazendo chegar a todas as escolas da rede pública esta iniciativa. Um concurso que terminou recentemente, aguarda-se ansiosamente um nome português nesta votação.

Artigo para ler na integra na edição impressa.

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