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“O corço pode ser um enorme potencial económico a explorar” 

6 - 01-06-2014 site

A caça ao corço, em particular a caça de aproximação, apresenta um elevado grau de dificuldade o que representa grande desafio para o caçador, proporcionando lances únicos.

Há um considerável número de aficionados com poder económico e dispostos a pagar bem a conquista de um troféu mas em Portugal caçam-se cerca de meia dúzia de corços por ano e a quase totalidade dos corços caçados provêm das Zonas de Caça Turísticas. Razões que levam esses mesmos aficionados à vizinha Espanha (Galiza) para participarem nessas jornadas de caça ao corço. Em consequência disso deixam o valor económico por lá.

Tem ou não Trás-os-Montes potencial para explorar este recurso natural? A Raízes esteve à conversa com Raúl Fernandes, presidente da Associação de Caçadores de Grijó e Vilar do Monte (Macedo de Cavaleiros) que construiu o Cercado de Corços em 1999.

 

Quanto ao corço, da experiência que tem, considera esta espécie em evolução a nível populacional?

 Raúl Fernandes (RF) - O corço adapta-se com facilidade a qualquer tipo de habitat desde que este lhe forneça disponibilidade de alimento, refúgio e tranquilidade.

O acentuado abandono das práticas tradicionais de agricultura, o êxodo rural e a reflorestação contribuem positivamente para uma melhoria do habitat, promove a expansão da espécie com a colonização de novos espaços e o aumento da população.

 

A Associação de Caçadores de Grijó e Vilar Monte tem conseguido algumas autorizações para caçar estes animais. As autorizações dadas pela tutela têm sido satisfatórias?

RF - Em Maio de 2015 realizámos censos numa parte da área da Zona de Caça que considerámos com boas condições para a caça ao corço. Este trabalho foi realizado pela Verónica Peralbo Castillo, aluna espanhola da UTAD, sendo o seu Relatório Final de Projecto de Licenciatura em Engenharia Florestal, coordenado pela Dra. Aurora Monzon.

Para a área de estudo (700 h) os censos indicam uma população de 61 exemplares, correspondendo a uma densidade média de 0,087 animais/ha e considerada adequada para permitir o início da exploração sustentada de esta espécie.

Assim, apresentámos junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) um pedido de alteração do Plano de Ordenamento e Exploração Cinegética (POEC), incluindo o corço como Espécie Objecto de Exploração e autorização para caçar dois machos pelo processo de caça de aproximação na Época Venatória 2015/2016.

Em 15 de Julho 2015 recebemos parecer favorável e em Agosto iniciámos a caça ao corço.

Entre a apresentação do pedido devidamente fundamentado e a autorização decorreu cerca de mês e meio o que nos parece um prazo aceitável.

Na época Venatória 2015/2016 conseguimos caçar um belo exemplar. Nesta época esperamos caçar dois dos três corços autorizados.

 

Acha que há falta de vontade da tutela em atribuir mais ou considera que há falta é de pedidos por parte das associações? 

 

RF - Não me parece que haja falta de vontade da tutela em deferir favoravelmente os pedidos desde que fundamentados e apoiados em elementos credíveis que justifiquem a caça sustentada do corço.

Acreditando nas informações do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte, o número de pedidos é muito reduzido.

 

 É difícil esse processo a nível burocrático?

 

RF - A maior dificuldade reside na realização de censos ou recolha de indicadores de presença exigidos para deferir os pedidos.

As universidades tem manifestado disponibilidade para a realização destes trabalhos. No entanto, representará sempre para as Associações um encargo financeiro.

Entrevista para ler na íntegra na edição impressa.

Resposta a “O corço pode ser um enorme potencial económico a explorar”

  1. antony

    como pode dizer que em portugal caçam-se meia duzi de corços por ano quando a verdade é que se caçam milhares deles por todo o norte de portugal? ou vc não conhece a realidade da caça nacional ou quer fazer-se de cego para essa mesma realidade. enquanto nao houver um plano de caça funcional e um ordenamento de territorio cinegetico, e tirar gestao da caça ás autarquias que nada fazem pela caça, esta vai ser uma das especies mais caçadas furtivamente dos nossos dias. e digo que se isto não acontecer depressa sujeitamo-nos a que o corço desapareça dos nossos montes muito rápidamente pois a gestão que é feita é feita pelos furtivos.

     

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