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O Diabo anda à solta 

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“Quem pró Rosto da Morte olhar, por mais um ano a irá afastar!… Eram estes os pregões mais ouvidos, em dia de Quarta-feira de Cinzas na vila de Vinhais, quando algumas raparigas, do alto das varandas, provocavam aquelas tenebrosas figuras. Perseguições, capturas, tudo acontecia aos que se atreviam  a desafiar o poder sobrenatural do Belzebu representado por jovens que vestem a pele do diabo. Fique a conhecer todos os detalhes desta tradição, como era vivida no passado em Vinhais.

Há já muitos anos que se celebra esta tradição dos diabos em Vinhais e a Raízes esteve à conversa com um dos diabos mais antigos, Fernando Baptista, natural de Vinhais. Hoje tem 66 anos,  veste-se desde garoto e guarda religiosamente o fato já oferecido pelo seu avô. “O meu avô já se vestia de diabo e faleceu com 80 anos. Naquele tempo era uma tradição levada muito a rigor. Saímos de casa de fato vestido e não havia moça que se escapasse a umas cinturadas”, conta Fernando.

O terror começava à meia-noite do dia de Entrudo, tiravam-se os fatos de Carnaval e vestia-se a pele do diabo.  Era hora de recolher obrigatório para fugir aos cintos ameaçadores empunhados pelas dezenas de Diabos que vagueavam pela vila.

Quarta-feira de Cinzas ninguém escapa

O Vereador da Cultura do município de Vinhais, Roberto Afonso conta que “com possível associação às celebrações Lupercais, dos romanos, esta tradição também foi adoptada pelo cristianismo que introduziu na procissão da Quarta-feira de Cinzas a figura da Morte”. Já a figura do Diabo aparece no séc. XIX, possivelmente introduzido pelos frades franciscanos de Vinhais, pois era hábito, no final da missa de imposição de cinzas, a Morte e um Diabo estarem à saída da igreja do Convento de São Francisco para reforçar a ideia: “Lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar”.

Fernando Batista conta que outrora os diabos saiam à rua na quarta-feira de cinzas ainda de madrugada, causando medo às moças que escapavam conforme podiam. “Até iam para a igreja e para o cemitério, como não podemos lá entrar, serviam de porto de abrigo. Por isso é que sempre gostei de andar próximo da Morte pois assim elas não escapam”, conta Fernando.

Raízes falou com a Morte

Em entrevista exclusiva à Raízes, a Morte, que não quis revelar a sua identidade recorda que “noutros tempos era à meia-noite de terça de Entrudo para Quarta-feira de Cinzas que começavam a aparecer os primeiros diabos à porta do baile, esperando as raparigas que tinham saído de casa nessa noite. Eu apenas aparecia durante o dia seguinte, acompanhada pelo meu exército de diabos”, refere a Morte.

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

 

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