Revista Raízes - Sempre perto de si.|Segunda-feira, Setembro 25, 2017
Você está aqui: Início » À mesa com... » O FIM
  • Procure um artigo

O FIM 

“- Perdi a mula, perdi a mula, estou desesperado, não posso prosseguir assim. Não posso viver se não encontrar a minha mula.

Choramingava Nasrudin enquanto percorria a aldeia em busca da mula perdida.

- Quem encontrar a minha mula- repetia- vai receber como recompensa…a minha mula.

E as pessoas diziam-lhe:

- Estás louco…Perdeste a mula e vais oferecê-la como recompensa?

Ao que ele respondia:

- Sim, porque me aborrece não a ter, mas aborrece-me muito mais tê-la perdido.”

 

Ontem foste um anjo que surgiu na minha vida. Salvaste-me das garras dos “monstros” malvados que me cercavam, limpaste-me as lágrimas que me escorriam inexoravelmente pela face abaixo, segredaste-me ao ouvido “vai ficar tudo bem” quando a vontade de continuar a lutar falhava, deste-me sempre a mão cada vez que eu caía e ajudavas-me a curar as feridas dessas quedas da vida com um “betadine” especial feito de amor, carinho, compreensão e uma boa dose de cumplicidade. Hoje és um mafarrico que me atormenta os dias, cuja missão é perturbar a minha paz e atentar à minha sanidade mental. Para quê? Acabou. Aceita.

(Sei que és um anjo. E existe alguém que precisa (muito) de ti. Mas não sou eu essa pessoa.)

 

Ontem olhavas para mim com ternura no olhar, com brilho de admiração, irradiavas paixão, emanavas carinho e protecção. Hoje, quando tens a coragem de me olhar, fulminas-me de raiva, de ódio e de loucura. Para quê? Acabou. Aceita.

(Muda essa energia que te consome e que te suga, levanta o olhar e procura essa pessoa. Ela também te procura.)

 Ontem tínhamos uma vida em comum, cheia de projectos, de ideias, de sonhos, de vontades, de desejos, de responsabilidades, de algumas “dores” e de alegrias partilhadas. Hoje temos discórdias, gritos, insultos, infâmias. Para quê? Acabou. Aceita.

(És uma pessoa de muito valor. Faz os teus projectos! Tens um dom, lembras-te? Coloca-o ao serviço dos outros. Tenho a certeza que irias brilhar!)

 Ontem sussurrávamos doces palavras de amor que soavam às mais belas melodias algum dia ouvidas. Hoje “vomitamos” uma espécie de competição gramatical de vernáculos que mais parecem punhais lançados directamente ao coração. Para quê? Acabou. Aceita.

(Volta a mergulhar num discurso leve, doce e optimista! Acredita no poder das palavras e, consequentemente na mudança positiva que a tua vida terá.)

 Ontem deste-me o meu AMOR MAIOR e estou-te tão grata… Orgulhosamente escolhi-te para seu pai. (Permite-me manter esse orgulho, por favor!). Hoje, esse AMOR MAIOR sofre connosco, mesmo diante dos nossos olhos, sempre que assiste aos seus pilares lutarem por mesquinhices que nos desgastam roubando-nos VIDA! Para quê? Acabou. Aceita.

(Existe maior legado para deixar aos filhos do que ensiná-los a serem felizes? Na minha opinião, não! Mas para isso temos de primar pelo exemplo!)

Artigo para ler na íntegra na versão impressa.

Adicionar comentário