“O Hip-Hop é uma filosofia de vida, uma forma de expressão” – Frane Selak

O mirandelense Fábio Correia entrou no mundo do Hip-Hop há cerca de uma década, formou e integrou várias bandas mas foi só agora que resolveu evoluir para a gravação de um EP profissional intitulado “Eu próprio”. Frane Selak foi o nome artístico que adoptou para esta carreira a solo que está agora a iniciar.

Este EP é composto por oito faixas que, segundo o artista, são bastante pessoais, retractam a sua visão pessoal acerca da vida, da música e tudo que faz parte dele. Para este jovem de 27 anos o Hip-Hop é uma filosofia de vida, não é como a maioria das pessoas pensa uma forma de expressar revolta pelo mundo. “Eu não sou do bairro, sou de Mirandela, sou de Trás-os-Montes, aqui não há armas aqui não há crime, não me revejo nessas palavras que dizem”, explica Fábio Correia.

No entanto, o artista diz que o estigma associado ao Hip-Hop está a desaparecer o que faz com que as pessoas comecem a apreciar cada vez mais este género musical.

“A imagem mudou um pouco e teve de mudar à força, por exemplo, eu posso dizer que em 2004 num dos concertos a convite dos Sub Urbanos, tocamos à tarde num bar em Mirandela, porque nem sequer eram permitidas festas de Hip-Hop à noite, porque as pessoas associavam ao consumo de drogas, crime, as pessoas tinham estereótipos acerca desse tipo de música. Para mim isto sempre foi uma forma de liberdade de expressão e de eu conseguir gerir dentro de mim os meus sentimentos, a minha postura e a minha forma de estar, eu vejo sempre isso como uma forma de expressão que eu tenho livre e única”, acrescenta Fábio Correia.

Fábio escreve e compõe mas o arranjo instrumental recorre a profissionais com experiência. “As letras são todas feitas por mim, eu não percebo de instrumental, não tenho essa capacidade nem esse conhecimento, eu trabalho com pessoas que tem conhecimento para isso. Eles mostram-me o que têm, eu ouço e aquilo é por feeling, uma vocação, eu ouço e imagino logo como aquilo pode ficar, sedem-me o instrumental, vou para casa e escrevo. Ao fim de alguns dias, chego ao estúdio e gravo, é algo demorado. Estou a lutar para que as coisas saiam com qualidade, para que as pessoas possam ouvir”, conta o artista.

Começou por improvisar

Iniciou no mundo da música com improvisos e foi assim que descobriu a vocação e paixão pelo Hip-Hop, no entanto, ouve e aprecia todo o género musical mas é a música portuguesa a sua prioridade.

“Eu não comecei a fazer letras, comecei a fazer pequenos improvisos. O primeiro álbum de Hip-Hop que eu ouvi foi Sam The Kid mas a minha banda favorita eram os Da Weasel e eu fui ouvindo fui crescendo com esse tipo de música, identificava-me mas não sabia como havia de passar para o papel, então comecei a fazer pequenos improvisos. Foi quando saiu aquele filme, que marcou a minha vida, com Eminem, o 8 Mile. Quando vi esse filme vi que havia batalhas entre rappers, de se confrontarem uns com os outros. Eram ataques verbais duros mas terminavam de uma forma pacífica, não era quem tinha mais força nem quem fosse mais violento que ganhava, mas sim quem trazia melhores rimas, melhor dicção, melhor flow, e quem conseguia puxar mais pela multidão e isso inspirou-me muito”, refere.

Neste momento o panorama musical já integra o Hip-Hop de uma forma muito natural, está sempre presente em cartazes de festivais, semanas académicas e outros eventos de Norte a Sul do país, o que deixa Fábio Correia muito feliz.

O EP de Frane Selak “Eu próprio” está disponível gratuitamente no Youtube e no Sound Cloud, pois, entende que é a melhor forma de promover o seu trabalho nesta área tão complicada que é a música.

“Estou a fazer a promoção do meu trabalho e conto com ajuda dos meus colaboradores, artistas que trabalham comigo, nomeadamente o Berloke e o Jay Yo, que são dois amigos de Cabo Verde, um é promotor de instrumentais e o outro é cantor, também faz a masterização das músicas, eu gravei no estúdio deles, em casa deles num home studio no quarto e fui sempre muito motivado por eles que já dominam. Têm trabalhos lançados, talvez que aqui em Portugal passem um bocado ao lado porque as pessoas não conhecem”, afirma.

Para o futuro depois deste EP Frane Selak quer lançar um álbum de originais e espera que as pessoas gostem, apoiem e, essencialmente, que seja reconhecido como um talentoso filho terra.

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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