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O professor de violoncelo e maestro que virou artista de rua 

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Portugal ficou a conhecer os dotes de Ricardo Januário, depois de ter chegado às semi-finais do “Got Talentl”, o concurso de talentos da RTP 1.
O antigo aluno da Esproarte de Mirandela que virou “artista de rua” esteve entre os 27 semifinalistas, nas galas em directo, depois de ter impressionado os jurados com uma actuação fora do vulgar, utilizando um violoncelo e uma loop machine.

Ricardo Januário nasceu em Mirandela, há 32 anos. Iniciou os seus estudos musicais aos 12, na Escola Profissional de Arte (ESPROARTE) de Mirandela.
Entre 2002 e 2007 estudou na universidade musical de Utrecht, na Holanda, onde concluiu a licenciatura. Foi professor de violoncelo, director de Orquestra e coordenador do projecto Orquestra Geração de Mirandela.
A sua qualidade não passa despercebida, de tal forma que foi convidado, em 2013, para integrar o projeto “Xiquitsi”, a primeira Orquestra Jovem de Moçambique, da Associação de Artes de Maputo.
Nos últimos anos, optou por uma viragem radical na sua vida e tornou-se artista de rua. “Não me conformo com o sistema de ensino no nosso país e enquanto isso não mudar, não volto a dar aulas”, garante Ricardo, justificando esta mudança.
“É junto das pessoas que posso provar o meu valor e sinto que assim sou reconhecido pelas minhas qualidades”, adianta o mirandelense.
Este ano decidiu inscrever-se no Got Talent Portugal. “Avancei para esta aventura como uma espécie de desafio a mim próprio, para saber até que ponto o meu trabalho podia ter impacto positivo no grande público e não me arrependo, porque foi tudo muito positivo”, frisa.
Na fase de selecção para as semi-finais, os jurados ficaram rendidos à actuação de Ricardo, interpretando o tema “With or Without You” dos U2, com recurso a um violoncelo e uma loop machine. “É um gravador nos pés e tudo o que eu faço é gravado no momento. Quanto toco outra vez, vai sempre repetir”, explica.
Muito satisfeito pela passagem à semi-final, Ricardo Januário quis voltar a surpreender, mas não conseguiu a passagem à final. “Sabia que não era fácil, tendo em conta que a minha arte não é tão popular como outras que estavam a concurso, mas foi uma experiência muito gratificante e que não vou esquecer tão cedo”, diz Ricardo, revelando ainda que esta passagem pelo concurso já está a dar frutos.
“Já tive vários contactos para espetáculos e noto um aumento brutal da minha visibilidade e isso pode vir a ser importante para o meu objectivo de gravar um CD de originais, vamos ver”.
Ricardo teve muito orgulho em representar a sua terra natal. “Foi maravilhoso poder dizer à boca cheia que sou de Mirandela e não tenho palavras para agradecer as palavras carinhosas e de muito incentivo que muitos mirandelenses me presentearam”, acrescenta Ricardo Januário, que não esconde a enorme contribuição que Esproarte de Mirandela teve na sua formação.
“Tive a oportunidade de trabalhar com professores altamente qualificados numa escola que é um autêntico viveiro de talentos musicais”, conta.

Por Fernando Pires

Reportagem para ler na íntegra na edição impressa.

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