O Rei Mouro do Castelo de Algoso

Contamos-lhe duas lendas do concelho de Vimioso, distrito de Bragança. Uma só fonte, duas histórias que envolvem uma vez mais as afamadas mouras encantadas.

Conta-se que um rei bastante tirano reinou no concelho de Vimioso e vivia com uma filha que se enamorou por um fidalgo cristão, contra a vontade do pai.

No dia em que os cristãos atacaram o castelo de Algoso esta auxiliou-os e acabaram por vencer o rei mouro que ficou fulo quando descobriu a traição da filha.

E por isso, como castigo, encantou-a na figura de uma serpente, deixando-a nos subterrâneos do castelo a guardar um valioso tesouro. Entretanto tratou de fugir por uma mina que lá havia, na esperança de voltar um dia para reaver o seu tesouro. O povo conta que nesta mesma mina em noites de São João tem sido vista uma donzela muito linda com os cabelos soltos, a chorar, sentada sobre uma fonte ali situada, e que desaparece aos primeiros alvores da madrugada, aparecendo no seu lugar uma enorme serpente com uma grande cabeleira, a rastejar, a rastejar, até que desaparece também. Será? O que se sabe é que ninguém se atreve a entrar dentro da mina e a procurar o tesouro que lá existe.

A fonte é conhecida pelo nome de “fonte de S. João Baptista” e o povo reconhece-lhe poder na cura de certos males. Por isso é alvo de muitas romarias, especialmente no dia de S. João. Ao lado há uma capela dedicada a este santo.

Outra lenda conta que…

Um dia um humilde jornaleiro, ao passar pela fonte de São João Baptista viu a moura e puseram-se a conversar um com o outro. A moura simpatizou com o jornaleiro e acabou por lhe prometer tudo quanto ele pedisse.

O jornaleiro, admirado com tal oferta, disse-lhe:

– Seis vinténs por dia me bastaram.

– Está bem – aceitou a moura. – Cá os encontrarás debaixo de uma pedra, se vieres apanhá-los ao dar a meia-noite e não contares a ninguém.

Assim fez o jornaleiro, noite após noite. E como tinha esta diária assegurada, deixou de trabalhar. Passou então a viver melhor do que os seus vizinhos. Estes, todos os dias, quando iam para o trabalho ao amanhecer, chamavam-no sempre:

– Vens connosco?

Ele agradecia, mas não ia. Até que se cansou de estar sempre a ser chamado, e, por isso, uma certa manhã respondeu-lhes:

– Enquanto a fonte de São João me der a jornada, não precisarei de mais nada!

Tais palavras foram a sua desgraça. Daí em diante, nunca mais a fonte lhe deu nenhum vintém.

 

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

LER MAIS

SIGA A REVISTA RAÍZES NAS REDES SOCIAIS