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O romanticismo nas relações 

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Alain de Botton, um filósofo inglês da praça intelectual contemporânea afirma numa das suas palestras que muitas das ideias de amor que temos têm fontes como os livros, o cinema, as histórias de amor que lemos, podemos pensar que o sentimento de amor é somente algo espontâneo e não consideramos as influências externas, sociais, históricas, literárias. Foucault, por exemplo, ironicamente dizia que haveria pessoas que nunca amariam se não tivessem ouvido de que existia algo como o amor. É algo extremo à luz das nossas vivências, mas não podemos deixar de considerar que quando amamos, obtemos algumas pistas do mundo exterior. Há sentimentos que elevamos e outros que apagamos porque temos em conta o que vem do exterior.
Estamos na era do romanticismo nas relações, é inegável o seu poder na busca de uma relação ou parceiro(a) de vida. Algumas dessas assunções estão, por exemplo, na busca da “soul-mate”, ou alma gémea. A ideia de que quando a encontrarmos deixaremos de estar encalhados na solidão, melancolia, agonia e todos os nossos males serão removidos ou metaforicamente aspirados do nosso espirito como um pó. Outrora, durante séculos e desde o inicio dos tempos, os casamentos, as relações eram uma espécie de acordo e negócio de famílias, assentes no pragmatismo da vida. Hoje, encontrar a alma gémea é uma espécie de instinto, um sentimento que nos visita inconscientemente, uma espécie de bênção, um sentimento especial não anunciado e que acontece repentinamente. Aqui reside o romantismo, a ideia daquele sentimento inusitado, o “crush” que não tem explicação, apenas acontece, e que nos leva a dizer que este ou esta é a tal, sem conhecermos um pouco mais a pessoa. Se falássemos deste tipo de sentimento a uma pessoa de 80 anos, diria que quem se dedica ao amor é quem está desempregado, ou não tem que fazer. Um dos aspetos do romanticismo dos nossos dias reside na relação de sexo e amor. Para os românticos o sexo é a expressão máxima do amor, se virmos os romances do século XIX, flaubert na Madame Bovary, ou Anna Karenina de Tolstoy vemos o adultério como a tragédia e o peso que destrói o Amor. Se olharmos a história da humanidade vemos que o adultério sempre esteve presente; só na história recente o adultério carrega esse peso de destruição da ideia de amor.
Outro factor de romanticismo, é a ideia das crianças, dos filhos, que vêm completar a vida a dois é o conceito de família tão padronizada. Novos ventos e marés se desenham no horizonte.
No entanto, e ainda que estas ideias sustentem a forma como hoje nos relacionamos e amamos, também é licito dizer que estas ideias vêm afectar as relações de longo termo. E porquê? Talvez a ausência de nós mesmos com o nosso EU faz com que não tenhamos conhecimento de quem somos e o que sentimos e a realidade envolvente com todas as suas obrigações destroem as ideias de romanticismo…Será?
Desejo de umas boas férias em romance!

António Américo Salema

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