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Olaria tradicional de Bisalhães 

Photo © Lino Silva 2016-0605

A Raízes foi conhecer melhor a Louça Preta de Bisalhães, específica do centro olárico da aldeia de Bisalhães que fica na freguesia de Mondrões, no concelho de Vila Real. Este processo torna-se singular pelas técnicas ancestrais usadas na sua confecção e cozedura. O nosso guia não podia ser melhor, Cesário Martins, um dos oleiros mais antigos de Bisalhães que nos mostrou todo o processo.

Cesário Martins, 80 anos, como se diz por Trás-os-Montes, nascido e criado em Bisalhães e oleiro quase de berço. “Quando fiz a quarta classe os meus pais ensinaram-me logo a trabalhar no barro, também não sabiam fazer outra coisa nem eles nem os meus avós”, conta entre risos Cesário Martins.

Parece fácil fazer pucarinhos, mealheiros, regadores, canecas, tachos, bilhas e assadeiras mas só quem trabalha no barro é que percebe as voltas que uma peça leva. Uma das particularidades desta loiça é que suscita grande curiosidade pela sua cor negra, adquirida através do processo de cozedura do barro.

O processo começa com a peneira do barro, os oleiros juntam-lhe água até obterem uma massa moldável. Cesário diz-nos que o barro “leva as voltas do pão”. Esta massa vai depois à roda e dá origem a uma peça única, mas que falta cozer. Antes disso ainda fica a secar algum tempo.  No caso do senhor Cesário faz as suas peças numa pequena banca que tem na cidade de Vila Real, depois a cozedura é feita em casa e a Raízes foi até lá espreitar.

O processo começa bem cedo, Cesário com a ajuda de familiares acende o forno e só depois é que mete as peças, quando está a cerca de 1500 graus. Deixa cozer durante cerca de três horas. O oleiro explica que em “cinquenta peças podem sair umas cinco ou seis partidas com a temperatura”.

Foto Lino Silva

Artigo para ler na íntegra na edição impressa.

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