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Pe. Firmino Augusto Martins – No cinquentenário da sua morte 

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Com o desaparecimento de entre os vivos, a figura e obra do P. Firmino Martins crescem e tornam-se vultuosas. Sintoma seguro que marca verdadeiramente os grandes Homens.”

Comemorou-se, a 5 de Outubro, a Implantação da República Portuguesa. Curiosamente, assinalaram-se, também nesse dia, 104 anos sobre a 1.ª Incursão Monárquica. Ironicamente, no mesmo dia do ano de 1965, há precisamente 50 anos, partia o “Mestre do Regionalismo, Homem de Cultura, Orador Exímio, Padre Culto, Lince Político, Pároco Rural, Águia da Coroa e Poeta”, Firmino Augusto Martins.

Nascido em Vilarinho de Lomba, concelho de Vinhais, a 16 de Fevereiro de 1890, passa a sua infância em Nuzedo de Cima, como qualquer outra criança da aldeia, sem as “rendas vaporosas a roçagar-lhe as faces tenras como alguns”, mas, “como tantos, guarnições de «estopinha» grosseira, sob o tecto esburacado de casa agrícola pobre”.

Ingressa no Seminário de Bragança, em 1903, que abandona antes de ser ordenado por se ver envolvido nos movimentos antirrepublicanos da época, tendo-se aliado às hostes de Paiva Couceiro que, com um largo exército de homens fiéis à coroa, tentaram a 1.ª Incursão Monárquica, dia 5 de outubro de 1911.

Exilado em Espanha

Vê-se obrigado ao exílio em Espanha e, posteriormente, no Brasil onde permanece alguns anos tornando-se professor no Colégio de São Bento – Rio de Janeiro. Ali funda o Centro Católico Português e torna- se colaborador de diversos periódicos, regressando ao seu país em 1914, graças à amnistia de 5 de março concedida aos presos monárquicos, sendo ordenado em 1916.

Em Travanca – Vinhais, primeira paróquia que o acolhe, começa a ouvir as “…«contas» que o povo, aconchegado à acha crepitante do lar, transmite jovialmente nos quietos serões da época hibernal”2, registando-as para aquele que viria a ser o 1.º volume do “Folklore do Concelho de Vinhais”, editado em 1928 pela Imprensa da Universidade de Coimbra. O segundo volume seria publicado em 1939 ao que se seguiriam outros trabalhos.

Dos retalhos do saber popular fez as suas recolhas, que traduzem magistralmente o mais fiel repositório do testamento oral do povo, imortalizadas na obra que chegou até nós e o catapultou para o manancial dos investigadores portugueses de referência da etnografia e etnomusicologia do século XX.

Colaborador permanente de um grande número de revistas e jornais do país, considerado um especialista na história e cultura locais, participou em vários congressos nacionais e privou com alguns dos maiores investigadores, etnógrafos e musicólogos portugueses, nomeadamente José Leite de Vasconcelos, Abade de Baçal, Pe. António Mourinho, Armando Leça, Sebastião Pessanha e Luís Chaves, com o americano Kurt Schindler e com o corso Michel Giacometti tendo-lhe este dedicado o disco da coleção “Antologia da Música Regional Portuguesa – Trás-os-Montes (1959)”.

Desenvolve uma atividade política intensa, chegando a vereador da Câmara Municipal de Vinhais em 1923 e a presidente em 1929, lugar que ocupa durante 16 anos. Mantém essas funções em paralelo com as de etnógrafo, sacerdote e jornalista, num percurso notável que levou o governo a agraciá-lo com as insígnias de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, a de 5 de outubro de 1932, e de Oficial da Ordem de Santiago da Espada, a 20 de dezembro de 1960.

Qualquer homenagem rendida a este vulto da cultura regional, que deixou a vida terrena a 5 de outubro de 1965, em Tuizelo, e cujo nome figura na toponímia de Vinhais e Bragança, é justa e merecida tendo começado há alguns anos com a reedição da prestimosa obra “Folklore do Concelho de Vinhais”. Em 2005 foi editada a obra “Pe. Firmino Augusto Martins – Fotobiografia e Laudas Dispersa”, de Roberto de Morais Afonso e, posteriormente, foi colocado o seu busto, em bronze, num espaço público de Vinhais, que permite perpetuar na memória dos que por ali passam os traços do rosto de um Homem que dedicou a vida à sua região sempre com a “honesta intenção de tornar conhecida a terra que nos foi berço e de concorrer para o engrandecimento deste pequeno rincão”.

Artigo para ler na integra na edição impressa.

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