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Qualificação, Valorização e Comunicação são palavras chave para uma estratégia SMART 

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Berta Nunes, presidente do ZASNET, entidade gestora da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, participou como oradora no VII Congresso Internacional de Turismo Rural de Navarra. Este ano tema principal foi o conceito de Smart Rural.

“Se um território inteligente não mobiliza a inteligência dos seus cidadãos, então, não é muito inteligente, é apenas a implementação de sistemas técnicos”, foi com esta citação da conceituada socióloga Saskia Sassen, que Berta Nunes, presidente do ZASNET, abriu a sua intervenção no VII Congresso Internacional de Turismo Rural de Navarra.

Uma citação que enfatiza a importância da aceitação, do envolvimento e da participação ativa das comunidades locais nos projetos, fundamental para o sucesso de qualquer iniciativa ou simples ideia que se promova. Berta Nunes defendeu que esse tem sido um princípio base na estratégia da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica. “E porque somos SMART? Porque entendemos que os conceitos de preservação e valorização só são conseguidos com o envolvimento da comunidade”, disse.

A ambição desta reserva é grande. O seu trabalho tem sido desenvolvido no sentido de criar uma rede de “territórios” de experimentação, em ambiente de real e em articulação com a população, com o propósito de valorizar e promover produtos e serviços, cultura e tradição, história e património, ambiente e paisagem, biodiversidade, buscando o equilíbrio e parceria necessária entre a inovação e a tradição.

“A qualificação de um território não pode ser um travão ao desenvolvimento. Tem de ser um motor, uma mais valia, tem de ser motivo para gerar riqueza, fixar a população e atrair mais pessoas, turistas sim mas, também, talentos, capazes de acrescentar valor”, continuou.

A tecnologia é neste processo fundamental não como um meio em si mesmo mas com um fim. “E é imprescindível na medida em que é útil, em que é utilizada pelos cidadãos residentes e pelos visitantes”, disse, referindo-se, por exemplo, ao uso de aplicações que ajudam na visitação do território, à Realidade Aumentada, que permite experiências mais informadas e até participadas, à utilidade que o mundo digital pode ter, sobretudo, para fazer passar a mensagem, para transmitir conteúdos de qualidade.

“O uso e até abuso da tecnologia coloca na mão do potencial turista toda a informação possível, sem filtros. As aplicações multiplicam-se, a Realidade Aumentada junta a escolha dos Pontos de Interesse com a georreferenciação, os vídeos promocionais, as partilhas nas redes sociais, etc., inundam os utilizadores de informação”, explicou.

E o que são conteúdos de qualidade? É uma comunicação articulada, positiva, que valorize a autenticidade a originalidade, que permita ao visitante ter neste território uma experiência verdadeiramente diferente, que não possa repetir em nenhum outro lugar.

A Reserva está a criar as ferramentas para que o território as possa usar.

“Uma MARCA promocional única. Neste momento estamos a desenvolver junto das comunidades o trabalho de divulgação da marca, explicando as vantagens de usar esta marca”, explicou. Acreditamos que a IDENTIDADE, aquilo que nos distingue e faz de nós um território diferente é o nosso maior valor, o que nos pode afirmar no exterior”, continuou, referindo-se neste caso, por exemplo à candidatura das Máscaras e Festas de Inverno Património Imaterial da Humanidade.

São estas ferramentas que, na ótica daquela responsável, vão fazer do Turismo um verdadeiro motor de desenvolvimento do território: “Queremos o turista que procure experiências originais, o turista que valorize a comunidade local e com ela queira conviver, que sinta vontade de experimentar os sabores e os saberes, que consuma sem culpas, que queira vivenciar a história, a cultura e a tradição de cada lugar, visitar o património edificado e natural, o turista responsável”, conclui.

E em jeito de conclusão, numa altura em que as agendas mundiais giram em torno das Smart Cities, os estudos apontam que em 2050, 67% da população vá viver nas grandes cidades, Berta Nunes defendeu que a verdadeira estratégia inteligente deve ser trabalhada na origem: “a estratégia só será SMART se for pensada e implementada nos territórios Rurais, que estão a perder população, população que foge para as grandes cidades”.

Quebrar este ciclo é o verdadeiro desafio, ser CAPAZ e ser suficientemente SMART para fixar cada vez mais pessoas no seu território.

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