Revista Raízes - Sempre perto de si.|Terça-feira, Setembro 19, 2017
Você está aqui: Início » Tema Especial » “Quem investir na fileira da castanha tem rentabilidade garantida”
  • Procure um artigo

“Quem investir na fileira da castanha tem rentabilidade garantida” 

Entrevista RefCast REVISTO 2

Este ano a produção de castanha foi fortemente afectada nas zonas de maior altitude. Registam-se quebras acima dos 80 por cento devido às baixas temperaturas que se sentiram no Verão.
No entanto, o presidente da Associação Portuguesa da Castanha (RefCast) e também docente e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), José Gomes Laranjo, chama à atenção para as potencialidades desta fileira. Portugal já lidera o ranking europeu no que toca à produção e comercialização deste fruto.

Este ano registaram-se condições climatéricas pouco favoráveis à fileira da castanha concorda?
José Laranjo (JL) - Concordo que este tenha sido um ano atípico, e foi devido, sobretudo, à falta de calor no Verão. Este ano foi um verão atipicamente pouco quente e isto fez com que as castanhas não se tivessem desenvolvido de forma normal. Como não houve calor este ano o ciclo atrasou.
E porque houve um Verão mais frio do que o normal e mais húmido, desenvolveu-se um fungo, que normalmente pode aparecer, mas o grau em que este aparece nunca é de causar problemas. No entanto, este ano apareceu com muita força em algumas zonas. Sobretudo nas zonas mais húmidas, mais frias. E isto fez com que a queda das castanhas se antecipasse. Caíram dos ouriços mas sem estarem amadurecidas. Esse fungo chama-se septoriose. Há zonas onde a quebra de produção pode atingir os 80/90 por cento. E depois o grau de importância dos fungos, ou o impacto, vai diminuindo à medida que descemos dos mil metros até aos 500. Dos 500 metros para baixo digamos que não há impacto nenhum.

Além da redução da produção, a qualidade ficou também afectada?
JL- Este nível anormal de humidade e de chuva que se fez sentir poderá causar perda de açúcar e falta de poder de conserva nos frutos. Eventualmente se o próximo ano correr assim nestas condições meteorológicas, tomaremos as devidas precauções para que este fungo não nos volte novamente a ameaçar.
Este fungo é semelhante ao da vinha. Só que na vinha as pessoas já sabem do que têm que tratar, se não tratassem a vinha não havia folhas nesta altura e não havia uvas. E no castanheiro sucedeu um bocadinho isto. Não há tradição de tratamento, de pulverizar os castanheiros por causa deste tipo de doenças. Como nunca ninguém a tratou, este ano a doença apareceu como nunca tinha aparecido até hoje. Aconteceu isto este ano mas eu estou consciente de que não voltará mais a acontecer, pois as pessoas estão avisadas.

Entrevista para ler na íntegra na edição impressa.

Adicionar comentário