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Roberto Leal: O transmontano que canta Portugal no mundo 

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No mundo é conhecido como Roberto Leal, no seu cantinho em Trás-os-Montes é o Toninho que um dia partiu com os pais e os irmãos para o Brasil à procura de melhores condições de vida. O destino brindou-o com o sucesso como cantor mas Roberto Leal nunca se esqueceu que este é o seu nome artístico e que ele é aquele menino Toninho do concelho de Macedo de Cavaleiros que muito chorou quando deixou a sua aldeia.

António Joaquim Fernandes nasceu dia 27 de Novembro de 1951. Filho de um grande amor entre Avelino, que era barbeiro que se apaixonou pela lindíssima loira, Maria Júlia que era filha de agricultores. Tiveram 10 filhos em Vale da Porca, no concelho de Macedo de Cavaleiros. “A vida era difícil, não se comia o que se queria nem quando se queria. Matávamos um porco por ano, o trigo estava sempre dependente da meteorologia. Mas nunca nos faltou o mais importante. O amor dos nossos pais”, conta Roberto Leal à Raízes. Uma infância difícil que recorda emotivamente.

A ida para o Brasil

As dificuldades falaram mais ao alto e Avelino e Maria Júlia decidiram mesmo emigrar para o Brasil com os seus filhos. Foram por etapas, cinco filhos em cada viagem. Roberto foi na segunda viagem com a sua mãe, tinha na altura 11 anos. No dia que deixou Vale da Porca, todos os meninos da aldeia choraram com ele a sua partida. Emocionado conta que lhes pediu para o deixarem ir e se não virasse para trás era porque era mesmo aquele o seu destino partir para o Brasil. E assim foi, primeiro a viagem até Lisboa para apanhar o barco, que em 1962 não era propriamente rápida. Depois no barco, o menino de olhos azuis chorou compulsivamente os primeiros três dias de viagem. “Parecia o filme “Titanic”, estávamos dez metros abaixo da superfície eram os lugares mais baratos. Quando o navio atirou aquele grito e se afastou do cais foi uma dor terrível. Aquele lenço branco com que dizemos adeus ao nosso pedaço de terra é uma dor que nem sei explicar”, diz o cantor. Após alguns dias de choro e sem comer foi ameaçado pela sua mãe que se não comesse o atirava aos peixes. Dos cinco filhos que seguiam nesta viagem, os restantes já estavam no Brasil com o pai, Toninho foi o que mais trabalho deu pela dor e pela saudade que já estava a sentir. Mas nessa mesma viagem Roberto diz ter sido inundado por uma força que o ajudou a ultrapassar a dor e com apenas 11 anos começar a perspectivar o seu futuro naquela nova terra.

A hora de desembarque em São Paulo foi outro momento alto da viagem. “O meu pai abraçou-nos a todos e disse que estávamos juntos de novo”, diz emocionado.

Durante aquelas horas que retiravam as malas Roberto Leal lembra-se de olhar e questionar-se já na altura: “Quem vai ouvir o grito de um português num país deste tamanho?”.

De vendedor de doces a cantor

Foi sapateiro, vendeu doces e só depois começou a cantar fado e músicas românticas.

“Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita” foi o primeiro refrão que Roberto Leal pôs Portugal e Brasil a cantar. A música “Arrebita” de 1972 ainda hoje é tocada em todos os seus concertos.

“Tudo que eu sonhei na aldeia, Deus deu-me muito mais”, confessa Roberto Leal, nome que escolheu porquê? Leal, vem mesmo da lealdade associada a todos os emigrantes portugueses e Roberto porque o seu agente da altura disse “Vais ser o Roberto Carlos dos portugueses!”. Dos portugueses e dos brasileiros, nestes 40 anos de carreira Roberto vendeu 17 milhões de discos, ganhou cerca de 30 discos de ouro e cinco de platina. Um cantor que vingou e que levou o amor às suas raízes a todo o mundo. Homem de fé que diz não acreditar em Deus. “Eu sei que ele existe”, refere sempre com os olhos a brilhar. Conta o episódio em que o seu pai perdeu completamente a visão durante seis para explicar a sua fé. “O meu pai deixou de ver, os médicos diziam que era irreversível esta situação. E seis anos depois voltou a ver como se fosse um milagre e eu sei que foi um sinal de Deus para mim”, conta.

Artigo para ler na integra na edição impressa.

2 Respostas a Roberto Leal: O transmontano que canta Portugal no mundo

  1. FRANCISCO JOSE RUIVO

    PARABENS., POR SE TORNAR QUEM ÉS., GUERREIRO, VENHO DE PAIS PORTUGUES DO MESMO LUGAR QUE VC., SOU FILHO DE BELIZARIO E JULIA MIRANDA., E TAMBEM VIVI NO PARQUE NOVO MUNDO EM SÃO PAULO..TE ADMIRO ..ÉS UM ICONE..UM PORTO SEGURO EM TERRAS TUPINIQUINS., A TODOS PORTUGUESES E DESENDENTES DO NOVO MUNDO… ABRAÇOS.

     
  2. Rafael Kafka

    Que DEUS lhe abençoe por tudo que fez pela língua Mirandesa! Nunca abandonou as raízes! Vi, há pouco, sua visita a sua vila natal, em uma matéria da SIC, o que me deixou muito feliz por ver o orgulho e o amor por sua terra!

     

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