Rota dos Cavaleiros de Malta

Mergulhe na história da Ordem dos Cavaleiros de Malta, uma ordem senhorial hospitalária que ajudava pessoas necessitadas de cuidados médicos independentemente da sua religião ou etnia. Deixaram vestígios da sua presença em toda a região transmontana em capelas e santuários. Nesta edição percorremos o Caminho dos Marcos.

Ao percorrer os itinerários da Rota dos Cavaleiros de Malta recuamos no tempo, esta rota transporta-nos à descoberta do tempo da formação do território nacional. Pelo Nordeste Transmontano, mais precisamente pelos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Vimioso encontramos sinais da presença dos cavaleiros de malta, vestígios evidentes deixados na demarcação de uma propriedade nas pedras de um castelo, nas paredes de uma igreja ou em algumas pinturas de um quadro.

Caminho dos Marcos 

E iniciamos a nossa viagem, começamos o percurso em Mirandela junto à ponte Medieval, também conhecida como ponte velha, onde a circulação é pedonal. A data de construção é desconhecida mas sabe-se que foi utilizada pelos freires e mandatários da Ordem de São João do Hospital sempre que precisavam de fiscalizar o governo ou o estado das suas igrejas. Sem certezas pensa-se que neste local tenha existido uma outra ponte romana. Mas o que é certo é que neste ponto do rio Tua os freires da Ordem de São João Batista de Jerusalém que viessem dos lados do Castelo de Algoso tinham a vida facilitada para se dirigirem ao Mosteiro de Leça do Balio, sua primeira sede, ou para efectuarem as suas visitas às propriedades que possuíam em ambas as margens do rio. A ponte medieval de Mirandela era mais longa naqueles tempos, assentava em vinte arcos desiguais e o chão era de lajes. O alcatrão veio décadas mais tarde. Hoje em dia é um ponto central da Cidade do Tua, na zona envolvente são várias as actividades como pesca desportiva, passeios de barco ou de gaivota, jet-sky ou canoagem. Um passeio pela ponte medieval de Mirandela e pelos jardins envolventes são outra sugestão.

Ermida de Nossa Senhora de Jerusalém

Saímos de Mirandela pela EM15, que corre ao lado da antiga linha ferroviária do Tua e seguimos para a Ermida de Nossa Senhora de Jerusalém. Esta fica situada num pequeno monte, rodeado de uma paisagem que deslumbra quem por lá passa. Oliveiras e Sobreiros à vista, que outrora pertenceram à Ordem dos Cavaleiros de São João, mais longe a Serra dos Passos.

Depois de deslumbrarmos a paisagem e de tirar algumas fotografias vamos até à pequena capela onde encontramos um marco com uma cruz de Malta, este que segundo os historiadores estaria a delimitar as terras da Ordem.

Ao percorrer a antiga linha férrea do Tua, atravessamos o Quadraçal, um imenso campo de sobreiros, mato rasteiro e algumas aglomerações graníticas. Um belo passeio a pé em que podemos explorar a paisagem de grande magnetismo que nos conduz até Jerusalém do Romeu. Por aqui, no lugar de Vale de Couço, junto à Capela de Santo Amaro, encontramos outro marco com a insígnia da Ordem de Malta.

Chegados ao Romeu 

Subimos até à aldeia do Romeu, este antigo domínio da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém é hoje uma aldeia que guarda características típicas da região transmontana. Apercebem-nos disso mal chegamos, vendo casas feitas com matérias tradicionais como o xisto. Este facto deve-se à obra de Clemente Menéres um grande empresário agrícola que aqui se fixou nos finais do século XIX. Encontramos Francisco Santos, que apesar de ser natural de uma aldeia vizinha Vila Verdinhos, vai ser o nosso guia pelo Romeu. Para explicar a influência da família Menéres leva-nos ao Museu das Curiosidades que proporciona uma verdadeira viagem ao passado. Aqui é possível ver uma colecção particular de antiguidades e de inúmeros objectos curiosos recolhidos pelos membros da família, entre os quais se encontram carros antigos (um Ford T de 1909), exemplos das primeiras máquinas fotográficas, bicicletas, biciclos, relógios, máquinas de costura, apetrechos de lagares de azeite e de vinho, carros de cavalos, grafonolas e uma das juke-boxes mais antigas do mundo.

Já lá vai uma boa caminhada, depois da visita ao Museu das Curiosidade seguimos até ao Restaurante Maria Rita, um dos mais conhecidos da região. Este também relacionado com a família Menéres. Subindo a escada encontramos de imediato esta citação de Clemente Menéres numa parede:

Cheguei à povoação do Romeu às 4 horas da tarde do dia 18 de Maio de 1874. Procurei uma estalagem e encontrei a única que lá existia e que era da Sr.ª Maria Rita que, por sinal, nada tinha que nos dar de comer. Mandei então assar bacalhau, acompanhado, a primeira vez para mim, de pão negro de centeio”

Este migrante, vindo do Porto chegou ao Romeu e foi nesta porta que primeiro bateu, onde foi humildemente recebido. A senhora Maria Rita foi depois ajudada pelo empresário.

Alguns anos mais tarde, depois da Senhora Maria Rita falecer a Casa Menéres comprou a estalagem. Em 1966, Manoel Menéres, filho de Clemente, restaurou-a e trouxe o recheio de uma de suas quintas e recriou a Maria Rita com a cozinheira de sua casa e as receitas da família.

Açorda de Espargos Bravos, Bacalhau à Romeu, Bacalhau à Nossa Moda, Feijoca à Transmontana, Posta Mirandesa, Alheira Caseira na Brasa, Bifinhos na Caçarola, Sopa Seca são algumas das receitas exclusivas deste espaço, nós provamos a última e estava uma verdadeira delícia! Já agora acompanhe com um bom vinho e azeite transmontano.

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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