“Ser latoeiro é a profissão que amo e enche de orgulho”

Rui Santos é natural de Folhadela, tem 45 anos e é filho do mais antigo latoeiro da cidade e, o mais jovem latoeiro em Portugal.

Fez a primária em Folhadela e o secundário na escola de S. Pedro, bem no centro da cidade e perto da oficina do pai, sendo lá que passava os seus tempos livres, a brincar com tesouras, martelos e o maço. A partir dos 16 anos começou a dedicar-se a sério à profissão.

Aos 20 anos decidiu arranjar outro emprego, mas rapidamente se apercebeu que não era aquilo que queria e ao fim de três anos regressou à latoaria onde permanece até hoje.

Trabalha com diversos materiais, mas utiliza mais a folha-de-flandres e a chapa zincada. Também faz peças em cobre, mas como o preço de venda ao público é mais elevado, são menos vendidas.

Reconhece que as vendas baixaram bastante, porque as pessoas conseguem encontrar regadores, baldes, canecos, etc, feitas em plástico e a preços mais acessíveis. Nessa altura percebeu que, para sobreviver precisava estar constantemente a inovar e, foi o que fez, começando a desenvolver outras peças como floreiras, vasos em chapa, e outras coisas mais…

Rui faz ainda restauro de peças: “Alguém que me entrega, por exemplo, um regador que tenha furos ou uma parte apodrecida, e eu coloco um novo fundo em chapa nessa peça”.

A peça mais procurada e mais vendida é a candeia, porque faça as pessoas recordar os tempos antigos, a altura em que não havia luz elétrica e era com as candeias que iluminavam as casas.

Em 2005 esteve presente numa feira na FIL, na Feira Nacional de Artesanato, onde arrecadou o primeiro prémio, um reconhecimento que o deixou motivado: “Foi maravilhoso trazer o prémio para a minha cidade, até porque eram mais de 300 pessoas a concorrer”. A peça está exposta na montra do Posto de Turismo de Vila Real.

Rui também dá formação de latoaria e curiosamente os principais convites surgiram do Algarve, onde já esteve 3 vezes a dar formação. O convite foi feito pelo “Projecto TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Atuais” gerido pela Proactivetur (empresa de Turismo Responsável) que lançou a segunda fase da iniciativa “A arte do latoeiro”, no sentido de reativar um ofício que se encontra praticamente extinto no Algarve.

Em breve Rui estará presente numa feira em Vila do Conde, um convite feito pela Câmara, endereçado ao seu irmão, mas onde também ele vai marcar presença com a latoaria tradicional: “Vão ser quinze dias por lá a divulgar o nosso trabalho com muito amor e afinco”.

Os seus objetivos ou sonhos para o futuro são poucos: “Tentar que a arte não acabe, daí a minha vontade de continuar a mostrar o meu trabalho e o valor da latoaria”. Por vezes, chega a perder dinheiro ao fazer workshops e demonstrações de trabalho nas escolas, mas como a sua maior ânsia ou preocupação, é que no meio de tantos jovens apareça um ou dois que queiram dar continuidade à sua profissão, acaba por “desvalorizar” o valor monetário… afinal é a profissão: “Que tanto amo e enche de orgulho”.

 

 

 

 

 

 

Ana de Carvalho

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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