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“Temos um crescendo significativo de gente a escrever bem em Trás-os-Montes” 

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A autora Carla do Espírito Santo Guerreiro, professora adjunta no departamento de Português na Escola Superior de Educação, no Instituto Politécnico de Bragança e a co-autora Lídia Machado dos Santos também é docente na mesma escola têm contribuído bastante para a promoção e dinamização do livro e da leitura.

Agora surge “Terra D’ Encontros”, uma narrativa onde as personagens vão e vêm, entrando e saindo num cenário rural de inícios do século XX, onde parece que dançam a valsa do tempo, sem pararem de girar na roda que o próprio tempo lhes oferece.

As picardias entre cristãos e judeus, que outrora pareciam dominar o ideário de Lagoaça – aldeia raiana do Nordeste Transmontano, entram também nesse tempo, que não tem tempo, e desvanecem-se com os ventos da mudança sem nunca se deixarem trancar definitivamente no baú das memórias.

 

Como surgiu este trabalho Terra d’Encontros?

Carla Guerreiro (CG): O trabalho surgiu na esteira da história da minha família, que foi, obviamente, sujeita a um processo de construção ficcional da narrativa, mas também da necessidade de deixar o registo de ideias, sentimentos, aspetos etnográficos, vivências de cariz social/cultural e religiosa entre judeus e cristãos no dealbar do século XX, em Lagoaça – Freixo de Espada-à-Cinta.

Este trabalho resulta de uma investigação cultural da região? Como se desenvolveu?

CG: Sim, nomeadamente na região de Lagoaça, como já referi. O desenvolvimento do trabalho envolveu, como não poderia deixar de ser, -porque tínhamos necessidade de descobrir e registar outras experiências profícuas que até agora, julgamos nós, ninguém o tinha feito (na época a que remontamos e neste registo literário) -, pautou-se, sobretudo, por um conjunto de viagens pelo Planalto Mirandês, ao encontro do povo e das suas histórias que depois foram “cozinhadas e temperadas” com as histórias da minha família e com o tributo que queríamos prestar-lhe. É claro que um trabalho desta natureza precisou de tempo. Podemos dizer que traçámos o preambulo da investigação nos finais de 2014 e concluímos pouco tempo antes deste verão, ainda a tempo de enviarmos tudo para a editora.

 

Quais foram as inspirações para esta obra?

Muitas e variadas. Muitas inspirações porque nos deparámos com uma mistura de sentimentos, ideias e vivências e havia, de facto, que tentar “amalgamar” tudo muito bem e conseguir um texto apurado. Portanto, as inspirações foram de ordem familiar, judaico-cristã, etnográfica e de registo para memória futura de um tempo já passado, cujas memórias não queremos que se extraviem.

O lançamento do dia 7 de Setembro correspondeu às expectativas?

O lançamento do dia 7 foi preparado com muito cuidado porque tínhamos um conjunto de amigos que gostaríamos de ver connosco nesse dia e, claro, depois, da reunião de pessoas magníficas que conseguimos, só podemos estar satisfeitíssimas! Entretanto, já fizemos a 1.ª apresentação em Lagoaça (como não poderia deixar de ser), que correu igualmente muito bem. No dia 16 de Setembro em Freixo de Espada-à-Cinta. Estamos, entretanto, a preparar uma apresentação para meados de outubro na Escola Superior de Educação, cuja Direcção nos tem dado o maior apoio, e contactámos todas as Câmaras do distrito, propondo apresentações. Paralelamente a estas apresentações, estamos a trabalhar com a Editora no agendamento de apresentações noutras zonas do país.

Como está a ser a adesão do público?

Muito boa! Estamos, na verdade, extraordinariamente surpreendidas pela aceitação que o livro tem tido porque não só as vendas estão a correr muito bem, mas também os comentários têm sido muito animadores e encorajadores no sentido de continuarmos a escrever!

 

Entrevista para ler na íntegra na edição impressa.

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