Transmontana vai ao Festival da Canção

Catarina Miranda, mais conhecida por Emmy Curl, nasceu em Vila Real em 1990, cidade que ama de coração, mas que teve de “abandonar” para “correr” atrás do seu sonho.Foi criada no seio de uma família ligada ao mundo das artes.

A mãe adorava pintar, essencialmente paisagens, mas também escrever. O seu pai além de cantor, tocava guitarra e também pintava, embora no seu caso fossem mais trabalhos geométricos. Catarina viveu e cresceu neste ambiente, e talvez por isso, desde muito cedo, se evidenciou essa vontade de enveredar pelo mundo da música.

Aos 15 anos, começou a produzir no estúdio do pai, as suas primeiras músicas. Frequentou aulas de guitarra e canto lírico no Conservatório Regional de Vila Real, aliás, a única formação profissional que teve até alcançar o sucesso. Sente que alcançou o seu sucesso por mérito próprio, no entanto, reconhece que o youtube e as restantes redes sociais a ajudaram a chegar ao patamar em que hoje se encontra. Aos 27 anos, é uma menina/ mulher com um currículo invejável. Podemos dizer que é uma pessoa com múltiplos ofícios, aos quais de dedica com o mesmo carinho e devoção em busca da perfeição. É muito crítica em relação ao seu trabalho e gosta de “assumir o controlo” em todas as fases da gravação, da produção e até ao trabalho gráfico. Neste momento abraça vários projectos como a música, a fotografia, é artista plástica e designer de moda. Foi também professora de canto e guitarra (algo que deixou de fazer por opção própria e que não pondera voltar a fazer, pelo menos por agora). O seu sucesso já a levou a tocar em festivais como o Sudoeste e o Delta Tejo, sendo que também já marcou presença em alguns programas televisivos.

 

  • O facto de ter nascido no seio de uma família de artistas influenciou-a na escolha da profissão? Em caso afirmativo, de que forma?

Sim. Influenciou no sentido em que foi mais fácil para mim trabalhar, pois o “cenário” estava montado com um ambiente muito propício para criar.

  • Aos 11 anos experimentou a guitarra do seu pai. Fazendo uma retrospetiva, acha que esse dia marcou de algum modo o seu futuro?

Eu, até devo ter experimentado a guitarra antes, pois, haviam duas guitarras em casa, no entanto, e por incrível que possa parecer, até nem foi a guitarra que me marcou particularmente, mas sim o ambiente onde cresci. Esse sim marcou o meu futuro.

  • Com que género de música se identifica? Ou, quais as suas influências musicais?

Dream pop, trip-hop, nordic folk, pastoral… As minhas influências musicais são muitas e variadas, não tenho idolos por isso é dificil dizer quem mais me influênciou, mas devido a influência famíliar ouvi muito the Police, Sting, Sade Adu, Clã, Jorge Palma, Fausto, etc.

  • A Catarina admira o guitarrista Frankie Chavez. Ele é uma “espécie” de ídolo para si? Qual foi a sensação ao ter sido convidada a trabalhar com ele numa música?

Eu não vejo um ídolo no Frankie nem em ninguém, mas foi muito feliz esse dia em que fui gravar uma canção com ele. Sabe…Eu admiro pessoas, ídolos…não tenho.

  • Como surgiu a ideia do seu nome artístico?

Não queria ser eu a dar a cara pela minha música, acho que sou apenas uma antena que transmite informação do cosmos, daí, decidi criar um alter-ego, um ego que não é meu e que não tem nada a ver com a arte, pois a arte não tem “persona”.

  • Em que difere a cantora Emmy Curl da Catarina enquanto mulher?

A Emmy Curl é a mesma mulher, mas com ego.

  • Frequentou aulas de guitarra durante três anos e de canto lírico durante um ano, no Conservatório Regional de Vila Real. Sente que foram anos proveitosos ou indispensáveis para se tornar uma grande artista?

Sim. Grande não digo, mas que me ajudaram nas noções básicas sim. Depois tendo as noções básicas tudo é mais fácil, a base fica montada.

  • Neste momento a Catarina pertence a duas bandas. Pode falar um pouco sobre isso?

Além de Emmy Curl também sou vocalista em “Papercutz”, que é o projeto de Bruno Miguel. Fui convidada a substituir a vocalista em 2012 e desde então, fui ficando, estamos a acabar o primeiro álbum onde entro oficialmente como vocalista. Depois tenho outro projeto ainda embrionário, chamado “Orobor@”, que consiste em música improvisada entre mim e a Fabíola Augusta.

  • Sei que é uma pessoa ambiciosa. Para além da música está ligada à moda, à fotografia, e à arte plástica e gráfica. Pode falar um pouco sobre essas suas profissões e quando surgiram as ideias?

Não sou muito ambiciosa no que toca a ter dinheiro, procuro é crescer como pessoa e, acho que a arte está intrinsecamente ligada ao crescimento pessoal. Acho que nos devemos ligar a ela, pois, representa a criança interior, a curiosidade, a contemplação do belo e a gratidão. Criei a loja online, Emilia Caracol, porque quando desisti da universidade, por ser uma seca, e para mim, uma perca de tempo, queria ter um trabalho que me desse algum sustento, isto foi antes de lançar o “Origins”, ainda não tinha tantos concertos. Acontece que, a loja foi um sucesso e vendi para todo o mundo, hoje está parada, pois, não tenho tido tempo para costurar. Depois tenho Cat Rain na parte visual, que vêm da minha paixão por Photoshop que está ligada à fotografia.

 

  • Com todas estas ocupações, ainda consegue ter tempo para viver a sua juventude?

Sim e estou a vivê-la intensamente.

  • Quantos álbuns editados têm a artista Emmy Curl?

Neste momento tenho três eps; (Ether EP – 2007; Birds Among the Lines Optimus EP – 2010 e Origins – 2012), e tenho dois álbuns lançados; (Cherry Luna, lançado em 2013 e Navia lançado em 2015). Felizmente as coisas estão a correr bem e sinto-me realizada.

  • A sua imagem inovadora e os seus sons peculiares já a levaram a alguns palcos importantes. Qual foi a sensação ao pisar esses palcos?

Foi de nervosismo na altura pois era muito nova. Hoje, já os encaro com mais calma e seriedade.

  • Sente que aos 27 anos já fez mais do que aquilo que pensava ser possível?

Acho que podia ter feito ainda mais, mas também tenho uma vida inteira para fazê-lo, nunca é tarde.

  • Em que se inspira para criar as suas músicas?

Na natureza principalmente, mas também nas coincidências e magia da vida.

  • Quais os seus planos para o futuro?

Ser feliz e fazer felizes os que me rodeiam.

  • O próximo álbum já tem data de lançamento? Podemos saber?

Não, ainda não tem, só sei que sairá em 2018. Para além disso existem outros projectos que ainda não posso divulgar.

 

Catarina Miranda vai este ano participar no Festival da Canção – RTP, como intérprete da canção “Para sorrir eu não preciso de nada”, com música de Júlio Resende e letra de Camila Ferraro.

A sua atuação está marcada para a primeira semifinal que será realizada no dia 18 de fevereiro, e caso supere o primeiro desafio, Catarina disputará a grande final a realizar no dia 04 de março na cidade de Guimarães.

  • Quando falei consigo a primeira vez, a Catarina não me falou da sua participação no festival da Canção, pois como o havia dito anteriormente, não divulgar. Agora que já é oficial a sua presença, qual foi a sensação de ser convidada a participar no festival da canção?

Para já foi uma situação de honra, porque quem me convidou foi uma pessoa muito reconhecida no mundo da música, uma pessoa muito talentosa que é o Júlio Resende e estou, claro, muito feliz por ter sido convidada por ele.

  • E quais são as suas expectativas para este desafio?

Neste momento não são nenhumas, eu vou muito pela experiência, pelo convívio dos músicos que acho que isso é que nutre a criatividade, é estarmos uns com os outros e trocar ideias, acho que isso é que faz também a cultura do país andar. Trabalhar em conjunto e passar por esta experiência juntos, acho que vai frutos no futuro para todos nós.

  • O que podemos esperar da sua música e da interpretação?

É uma música ligeira, uma música que fala de amor, simples… até muito simples, que foge um pouco à estética que tenho nas minhas músicas. Chegou a ser um desafio canta-la, porque é uma canção que não é tão complexa, como aquelas que eu costumo cantar e ouvir, no entanto, foi um desafio aceirar este convite. Especialmente pela simplicidade da música e que ela transmite, pela simplicidade de tudo e até, porque, é a simplicidade que faz a alegria e a vida das pessoas

  • Sendo a Catarina uma transmontana de gema, quer fazer um apelo especial às gentes do norte para votarem em si?

Quero que as pessoas votem essencialmente com consciência. Mas claro que o apoio é sempre bem-vindo. Sendo eu uma pessoa daí, que sempre apoiei a cultura transmontana, me orgulhei das minhas raízes e da cidade que me inspirou, e por isso, tudo o que eu sou devo a essas vivências, claro que gostava de ter apoio. No fundo eu vou representar a “nossa” terra, a nossa cultura e será sempre bom contar com o apoio das pessoas. Mas quero que votem se gostarem, até porque uma característica que nos define enquanto transmontanos, é sermos verdadeiros e espero que as pessoas votem com essa característica que os distingue, sendo verdadeiros, mas se gostarem será muito bom…

Por Ana Carvalho

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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