Uma moura que guarda um tesouro

Não precisamos de percorrer muitos quilómetros por Trás-os-Montes e Alto Douro para conhecer uma nova história, uma nova lenda. Esta podemos dizer que saiu debaixo de uma fraga na Serra do Cabreiro, em S. Tomé do Castelo, concelho de Vila Real. Parece que há por ali um tesouro ainda escondido…

Reza a lenda que por baixo de uma fraga na serra do Cabreiro, em S. Tomé do Castelo existe uma grande caverna cheia de tesouros, mas se está pensar ir já até lá tenha cuidado porque a mesma lenda também dá conta que na entrada da caverna estão três guerreiros bem armados, altos como gigantes, bastando uma só bofetada de qualquer um deles para o atrevido que por lá aparecer não ficar com vontade de entrar na caverna.

 

Para além dos tesouros há ainda uma moura

Estes gigantes não guardam apenas o tesouro mas também a dona do mesmo, uma moura que segundo a lenda é formosíssima de sangue real, que ali está encantada há muitos séculos à espera do seu mosqueteiro para a salvar e a libertar um dia com os seus tesouros.

Alguns pastores de Águas Santas e de Vila Meã, freguesias vizinhas, dizem já ter visto por uma fresta da fraga a bonita moura a tecer num tear de ouro maciço, cheia de anéis, pulseiras e colares de diamantes como estrelas.

Há até quem diga que já desapareceram por ali vacas com os peitos bem fartos, aparecendo pouco depois, sem se saber como, com eles de todo vazios. Parece que algumas destas vacas se tornavam também tão gulosas da manjedoura especial da caverna, que até perdiam o amor aos vitelinhos e chegavam a deixá-los morrer de fome, como por encanto, para que as ordenhassem, a moura ou as suas fadas. A lenda diz que para além da moura na caverna também vivem fadas.

 

Um pastor mais atrevido

Um dia um pastor mais esperto com medo de perder a sua vaca, decidiu agarrar-lhe a cauda, não a largando por muitas horas, até que, ao fim da tarde, lá foi misteriosamente a vaca e o pastor para dentro da caverna. Para compensar a coragem deste pastor que conseguiu entrar na caverna a moura recompensou-o com a generosidade que lhe era própria, tapando-lhe primeiro os olhos de forma a ele não soubesse o caminho da caverna. Depois encheu-lhe o chapéu de carvões, recomendando-lhe que tivesse todo o cuidado de os colocar, à hora própria no lugar da transformação.

Infelizmente o pastor não foi esperto e nunca percebeu que tinha que colocar aqueles carvões ao orvalho na manhã de S. João para que cristalizassem e se transformassem em puros diamantes. Ficou assim pobre sem nunca perceber o valor inestimável do que a moura lhe havia doado pela sua coragem.

A lenda termina dizendo que há na caverna uma grande mina debaixo daquela e de outras fragas, na distância de quase um quilómetro. Teria sido construída pelos gigantes para roubar a fonte onde a água era límpida e cristalina, fazia as delícias da moura, das fadas e dos seus guardas.

Diz-se que a aldeia de S. Tomé do Castelo, no concelho de Vila Real, deve o seu nome a esta velha fortaleza, já totalmente arruinada, onde os antigos dizem que viveu ou ainda vive uma moura encantada.

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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