Único palheteiro de gaitas de foles é mirandês

Um artesão de Sendim, concelho de Miranda do Douro é o único construtor de palhetas no País, destinadas em exclusivo às tradicionais gaitas de foles mirandesas, instrumentos de sopro caracterizados pelo seu som peculiar. A Raízes visitou o seu ateliê e foi saber mais sobre este ofício.

Henrique de Jesus Fernandes constrói cerca de mil palhetas por ano e é o único em Portugal. Palhetas e palhões para gaitas de foles mirandesas bem como outros modelos usuais são a sua arte. Natural de Sendim (Miranda do Douro) é descendente da família mais antiga de gaiteiros tradicionais da Terra de Miranda, vai já na sua quinta geração e sempre fiel às técnicas de digitação desenvolvidas pelos seus antecedentes.

É professor de gaita de foles e divide o seu dia-a-dia por Sendim e Vila Real, para tal decidiu criar um ateliê móvel para se dedicar à construção de palhetas. “Não é um ateliê propriamente dito como estamos habituados a ver, ele é móvel porque os equipamentos e ferramentas usados são de tamanho relativamente pequeno”. Aproveita a noite para se dedicar a esta paixão e deixa para os fins-de-semana a parte da calibragem que é mais minuciosa.

 

E de que são feitas estas palhetas?

 A matéria-prima é de cana do reino Arundo donax que vem de plantações da zona de Barcelona ou do sul de França.

Henrique Fernandes faz cerca de mil palhetas por ano e explica que a construção das palhetas tem várias etapas. “Um dia cortar o tubo em quatro, a seguir goivar  a cana e assim sucessivamente até chegar ao produto final. Por último a calibragem da palheta para depois tocar”, refere o artesão e acrescenta que é “um trabalho minucioso e bastante complexo principalmente a sua finalização é extremamente exigente”.

 

Apaixonado por gaitas de fole desde criança

 É um apaixonado por gaitas de foles desde criança, bisneto e neto de gaiteiros em adolescente todos lhe chamavam “o gaiteiro”. Começou por tocar flauta aos 19 anos e foi já com 25 que comprou a primeira gaita de foles ao Ti Ângelo Arribas, conhecido gaiteiro mirandês. Com o sentido de saber mais sobre teoria musical e de instrumento, fez formação académica: curso de flauta transversal (o que mais se adequava ao estudo da gaita), no Conservatório de Vila Real.

Em relação à construção de palhetas aprendeu algumas noções mais básicas com familiares e foi em Espanha que fez alguns cursos intensivos sobre a construção das mesmas.

É também fundador do Grupo Tradicional Mirandês – Lenga Lenga – Gaiteiros de Sendim. Único palheteiro para gaitas de foles existente no País é transmontano, em Espanha haverá cerca de 10, o artesão diz que é uma “arte que exige como todas tempo mas acima de tudo paixão”.

Henrique Fernandes gostava de ensinar esta arte para partilhar dúvidas na sua confecção e assim preservar todo o estudo desenvolvido em volta deste pequeno artefacto que faz viver a gaita de foles.

 

 

 

 

 

 

A Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista é um projecto editorial generalista, de âmbito regional, cuja publicação periódica é mensal.

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