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“Vamos ceder terrenos para que jovens agricultores produzam cereja” 

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A Cooperativa Agrícola de Alfandega da Fé vai ceder terrenos por 20 anos para que jovens agricultores invistam em projectos e se dediquem à produção de cereja. Alfândega da fé já teve dos maiores pomares da Europa, passou de 300 hectares de plantação para os actuais 60. Eduardo Tavares, presidente da cooperativa há nove anos, acredita que esta será a estratégia que pode voltar a dar escala à cereja do concelho mas salienta que o marketing e novas vias de comercialização são muito importantes.

Qual é o ponto de situação do sector da cereja no concelho de Alfândega da Fé?

Eduardo Tavares (ET): O sector da cereja teve já há alguns anos uma grande área plantada, chegou a ser um dos maiores pomares da Europa. Há uma década que vem a ser registada uma grande redução de área. Se nós olharmos para o início da cultura no concelho, na década de 70, em que foram plantados 300 hectares de cerdeiros e de facto a cultura deu projecção ao concelho até a década de 90.
O certo é que a partir dessa altura, houve um declínio muito grande da cultura, a cooperativa não conseguiu dinamizar a actividade, não conseguiu criar os canais de comercialização adequados, os pomares foram envelhecendo, não se criou massa crítica à sua volta, não apareceram novos produtores e a produção esteve sempre muito concentrada só na cooperativa, e isso levou à falta de aposta na comercialização, não havendo trabalho de marketing.
Neste novo milénio de 2000 os pomares foram-se convertendo, apesar de muito tarde, e foram reconvertidos para uma área muito menor do que a anterior. Passamos de 300 hectares para 60 hectares. Houve, no final da década de 90, aposta de alguns agricultores do concelho da cereja. No entanto, como não houve maneira de amparar a comercialização do produto, a maior parte dos agricultores já estão a abandonar a actividade, e têm vindo a abandonar a agricultura nos últimos anos. Hoje, há excepção de meia dúzia de agricultores da freguesia de Sambade, todos os outros agricultores abandonaram a cultura. Pelo que é urgente e é fundamental voltarmos a apostar na cultura.

O que é preciso fazer para remediar esta situação?

ET: Não pode ser só à base de investimento na cooperativa, temos que tentar incentivar outros agricultores, novos agricultores, jovens, agricultores que tenham também já na mão outras áreas, mas também agricultores que tenham experiência, que tenham canais de comercialização abertos.
Para isso a cooperativa, e a Câmara Municipal também, mas a cooperativa principalmente e tomando já essa iniciativa, vamos fazer um processo semelhante àquele que foi feito na década de 60, e que permitia à Cooperativa Agrícola iniciar este processo de produção de cereja, que foi: a cooperativa usufruiu da cedência de terrenos de agricultores para a cooperativa. Hoje a cooperativa vai fazer o contrário, temos terrenos que já são nossos (da cooperativa), e vamos concessioná-los por 20 anos a agricultores jovens, associados da cooperativa, que queiram em parceria com a cooperativa, investir na cereja. A cereja tem que ser comercializada com a marca chapéu “Terras de Alfândega”. Vamos dar prioridade a jovens agricultores, a associados, a agricultores que tenham já projectos no âmbito da “PDR 2020”. Vamos dividir esta área em 4 ou 5 parcelas, pois entendemos que a viabilidade desta cultura passa muito por não ter grandes áreas, mas ter áreas mais pequenas, áreas que possibilitem pequenas produções agrícolas em que possa ser aproveitada a mão-de-obra familiar, e isso reduz drasticamente os custos da mão-de-obra. Uma das grandes dificuldades que temos na cereja é, de facto, a disponibilidade de pessoas para trabalhar. E se nós tivermos pequenas produções agrícolas, até 5 hectares, conseguimos que uma família resolva de uma melhor forma esse problema.

Entrevista para ler na íntegra na versão impressa.

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